Vídeo: CEO do Uber discute com motorista sobre preços do aplicativo

Da Redação
28 de fevereiro de 2017 - 21h05
Motorista de Uber Black e o executivo Travis Kalanick trocam acusações sobre queda de preços do app nos EUA em novo clipe divulgado pela Bloomberg.

O CEO do Uber, Travis Kalanick, aparece discutindo com um motorista do seu próprio aplicativo após uma corrida em um novo vídeo divulgado nesta terça-feira, 28/2, pela Bloomberg.

Com cerca de 6 minutos de duração (veja abaixo), o clipe foi gravado no início de fevereiro, no domingo do Super Bowl, nos EUA a partir da câmera colocada no painel do veículo pelo próprio motorista do Uber Black em questão, Fawzi Kamel.

Uma das duas mulheres que acompanha Kalanick no carro diz algo sobre o Uber estar tendo um ano difícil, ao que ele responde que “Me certifico de que todo ano seja um ano difícil. É assim que eu faço as coisas. Se for fácil então eu não estou me esforçando o suficiente”.

Pouco depois disso, ao final da corrida, quando parece apenas mais uma noite tranquila, o motorista aproveita a oportunidade de ter o CEO do Uber em seu carro e o questiona sobre os preços cada vez mais baixos do aplicativo, que fica com entre 20% e 25% dos ganhos dos motoristas, dependendo da categoria de cada um deles.

“Você está elevando os padrões e baixando os preços”, afirma Kamel, ao que Kalanick responde: “Nós não estamos baixando os preços no Black”. Depois, o motorista diz: “Mas em geral o preço está caindo.”

Então o CEO do Uber justifica a queda, dizendo que “Nós precisamos; temos rivais. Senão estaríamos fora do mercado”. Após ouvir isso, o motorista volta à carga: “Concorrentes? Cara, você tinha o modelo de negócio nas suas mãos. Você podia ter os preços que quisesse, mas escolheu dar uma corrida para todo mundo.”

“Não, não, não. Você não me entendeu. Nós começamos high-end. Mas não fomos para valores mais baixos porque quisemos. Fizemos isso porque estaríamos fora do negócio”, argumenta mais uma vez o chefão do Uber.

Kamel volta a questioná-lo: “O que? O Lyft? Não é nada de mais” e recebe a seguinte resposta de Kalanick: “Parece algo tranquilo porque os derrotei. Mas se não tivesse feito as coisas que fiz, teríamos sido derrotados, te garanto.”

 

Depois disso, as coisas começam a esquentar de vez, com o motorista dizendo que as pessoas não confiam mais em Kalanick e que ele teria perdido 97 mil dólares e ido à falência por causa dessas mudanças no Uber. “Você fica mudando todos os dias, você fica mudando todos os dias.”

Já um pouco alterado, Kalanick responde: “Espera aí, o que eu mudei no Black? O que eu mudei?”. “Você mudou o negócio todo. Você baixou os preços”, afirma o motorista.

Mais irritado, Kalanick diz que isso é “besteira” e diz que “Algumas pessoas não gostam de assumir a responsabilidade pelos seus próprios problemas. Elas culpam tudo na vida delas em outra pessoa. Boa sorte!”.

Kamel então diz para o CEO do Uber: “Boa sorte para você. Mas sei que você não irá longe” e então a corrida é encerrada.

Procurada pela reportagem da Bloomberg, o Uber não quis comentar o vídeo.

De acordo com a Bloomberg, o Uber Black custava 4,90 dólares por milha rodada e 1,25 dólar por minuto em San Francisco. Atualmente, esses valores caíram para 3,75 dólares por milha e 0,65 centavos de dólar por minuto. 

O site ainda destaca o fato de outras modalidades do próprio Uber, como o Uber X, mais barato, competirem de forma direta contra os motoristas do Uber Black.

Ano difícil para o Uber

Os últimos meses tem sido bastante agitados para o Uber. Em dezembro, a empresa retirou seus carros autônomos de San Francisco após problemas com a prefeitura, que exigia que a empresa tirasse uma licença especial para esses tipos de veículos rodarem na cidade.

Depois, no final de janeiro, surgiu a campanha #DeleteUber nos EUA depois que a empresa derrubou o preço dinâmico, que aumenta os valores em situações de maior demanda, em meio a uma greve de taxistas em um aeroporto de Nova York como parte de um protesto contra o decreto de Donald Trump barrando viajantes de países islâmicos.

Mais recentemente, uma ex-funcionária do Uber alegou ter sido vítima de sexismo e assédio sexual na empresa, o que fez com Kalanick iniciasse uma “investigação urgente” sobre o assunto.

Como se não fosse o bastante, na semana passada foi a vez da Alphabet, empresa mãe do Google, acusar o Uber de roubar, juntamente a Otto, informações confidenciais sobre tecnologia de carros autônomos.