Campanha #DeleteUber volta a ganhar força após acusação de assédio

Da Redação
20 de fevereiro de 2017 - 14h51
Hashtag já foi usada em quase 2 mil posts nas últimas 24 horas. Campanha voltou após engenheira Susan Fowler revelar ter sofrido assédio sexual na empresa.

A hashtag #DeleteUber voltou a ganhar força neste final de semana depois que a ex-engenheira da empresa, Susan Fowler, publicou um depoimento detalhado do seu ano trabalhando na Uber e os enfrentamentos de sexismo e assédio sexual que teria sofrido na companhia durante esse período.

De acordo com a empresa de análise de redes sociais Keyhole, apenas nas últimas 24 horas foram feitos mais de 1.800 posts com a hashtag #DeleteUber nas redes sociais, com um potencial de cerca de 34 milhões de impressões, bem mais do que o registrado no final de semana de 27 de janeiro, quando a campanha contra o app aconteceu pela primeira vez.

Mas se na campanha #DeleteUber de janeiro, o Uber demorou a responder aos usuários e até foi ultrapassado pelo rival Lyft pela primeira vez nos EUA, a empresa tomou uma atitude imediata no novo caso, com o CEO Travis Kalanick, reagindo rapidamente ao post e liberando para a mídia uma declaração horas depois.

Em seu comunicado, o executivo afirma que Fowler descreveu "uma aberração que vai contra tudo o que o Uber defende e acredita". Ele alegou que não tinha conhecimento das reclamações de Susan Fowler e que instruiu o diretor de recursos humanos da empresa a "conduzir uma investigação urgente sobre as alegações". "Buscamos fazer do Uber um lugar de trabalho justo e não há lugar para esse tipo de comportamento no Uber. Se alguém se comportar dessa forma ou achar que isso está ok, será demitido", escreveu Kalanick.

Entenda o caso

Realizada no final de janeiro, a primeira iniciativa #DeleteUber aconteceu como consequência do banimento instituído pelo presidente Donald Trump contra a entrada de imigrantes de países islâmicos no país.

Enquanto os taxistas de Nova York fizeram uma paralisação que consistiu em deixar de buscar e levar passageiros para o aeroporto JFK, em Nova York, que recebeu um grande protesto contra Trump, o Uber anunciou no Twitter que estava derrubando o chamado “preço dinâmico”, que aumenta os preços em situações de maior demanda, para as viagens feitas com destino e a partir do aeroporto. A iniciativa foi vista como um apoio do Uber à ação de Trump e então teve início a campanha #DeleteUber, cuja hashtag foi uma das mais usadas pelos americanos no Twitter naquele final de semana.

Como consequência, o CEO do Uber, Travis Kalanick deixou a equipe de conselheiros econômicos do presidente americano Donald Trump.