Não vamos fugir da responsabilidade, diz Apple sobre embate com FBI

Da Redação
21 de março de 2016 - 14h16
CEO da empresa, Tim Cook, voltou a reafirmar sua posição contrária a hackear um iPhone 5C de um suspeito de terrorismo nos EUA.

A Apple abriu o seu evento especial desta segunda-feira, 21/3, falando de forma incisiva sobre a sua recente disputa com o FBI, que basicamente quer que a companhia de Cupertino hackeie um iPhone 5C de um suspeito de terrorismo, o que poderia abrir uma porta para cibercriminosos atacarem todos os aparelhos iOS.

Após dizer que a empresa tinha passado da marca de 1 bilhão de aparelhos no mundo, o CEO Tim Cook anunciou o que estava por vir: “E com isso vem uma grande responsabilidade”.

“Para muitos de nós, o iPhone é uma extensão de nós mesmos. Precisamos decidir como uma nação o quanto de poder o governo deve ter sobre os nossos dados e a nossa privacidade.” 

Entenda o caso

O governo dos EUA “exigiu que a Apple tome uma medida sem precedentes que ameaça a segurança dos nossos usuários”, afirmou o executivo em uma carta aberta publicada no site da empresa nesta quarta-feira, 17/2. Ele ainda afirma que o momento pediu uma discussão pública sobre o assunto e que queria que os usuários e as pessoas no país “entendessem o que está em jogo”. 

A indústria de tecnologia vem cada vez mais usando criptografia em seus produtos e serviços. A iniciativa vem sendo criticada por oficiais do governo dos EUA, incluindo o diretor do FBI, James Comey, que diz que isso torna mais difícil para eles rastrearem os terroristas que se escondem sob a criptografia. As empresas assumiram a posição de que a criptografia protege a privacidade individual dos usuários.

Após o governo dizer ao tribunal que estavam encontrando dificuldades por conta de um recurso de apagamento automático do iPhone que poderia apagar os dados após 10 tentativas sem sucesso de “quebrar” a senha do smartphone, a juíza Sheri Pym ordenou que a Apple ofereça sua assistência técnica, incluindo se exigido fornecer software com assinatura, para burlar ou desabilitar a função de apagar automaticamente caso esteja habilitada no aparelho. Isso permitiria que os investigadores do FBI tentasse diferentes combinações para “quebrar” a senha e conseguir os dados.

O governo está pedindo que a Apple crie uma backdoor no iPhone, afirma Tim Cook, que afirmou ainda que o que o governo está pedindo é algo que a empresa não possui e também é considerado muito perigoso para ser criado.

 

“Especificamente, o FBI quer que a gente crie uma nova versão do sistema do iPhone, burlando vários recursos de segurança, e instalá-lo em um iPhone recuperado durante a investigação”, afirma. “Em mãos erradas, esse software – que ainda não existe – teria o potencial de desbloquear qualquer iPhone em posse física de alguém.”