Google e WhatsApp apoiam Apple em briga com o FBI nos EUA

Da Redação
18 de fevereiro de 2016 - 10h37
Autoridades dos EUA querem que Apple ajude a "hackear" iPhone de suspeito de terrorismo. Empresas não querem abrir precedente contra "liberdade" dos usuários.

A Apple ganhou dois apoios de peso em sua briga com o FBI nos EUA para não revelar dados de um usuário de iPhone: os CEOs do WhatsApp e do Google se manifestaram publicamente a favor de Tim Cook.

Para quem não sabe, uma ordem da justiça federal dos EUA exige que a Apple ajude o FBI a buscar por conteúdos em um iPhone 5C apreendido com Syed Rizwan Farook, um dos terroristas do ataque realizado em 2 de dezembro em San Bernardino, Califórnia.

“Não podemos permitir que esse precedente muito perigoso aconteça. Hoje a nossa liberdade está em jogo”, afirmou o CEO do WhatsApp, Jan Koum. Vale lembrar que o aplicativo foi bloqueado aqui no Brasil por um dia após a empresa se negar a cumprir duas ordens da justiça local.

O CEO do Google, Sundar Pichai, adotou um discurso parecido. “Nós construímos produtos seguros para manter as suas informações protegidas e fornecemos às autoridades acesso a dados com base em ordens judiciais legais. Mas isso é totalmente diferente de exigir que empresas permitam que os aparelhos e dados de seus usuários sejam hackeados”, afirmou o executivo.

Entenda o caso

O governo dos EUA “exigiu que a Apple tome uma medida sem precedentes que ameaça a segurança dos nossos usuários”, afirmou o executivo em uma carta aberta publicada no site da empresa nesta quarta-feira, 17/2. Ele ainda afirma que o momento pediu uma discussão pública sobre o assunto e que queria que os usuários e as pessoas no país “entendessem o que está em jogo”. 

A indústria de tecnologia vem cada vez mais usando criptografia em seus produtos e serviços. A iniciativa vem sendo criticada por oficiais do governo dos EUA, incluindo o diretor do FBI, James Comey, que diz que isso torna mais difícil para eles rastrearem os terroristas que se escondem sob a criptografia. As empresas assumiram a posição de que a criptografia protege a privacidade individual dos usuários.

Após o governo dizer ao tribunal que estavam encontrando dificuldades por conta de um recurso de apagamento automático do iPhone que poderia apagar os dados após 10 tentativas sem sucesso de “quebrar” a senha do smartphone, a juíza Sheri Pym ordenou que a Apple ofereça sua assistência técnica, incluindo se exigido fornecer software com assinatura, para burlar ou desabilitar a função de apagar automaticamente caso esteja habilitada no aparelho. Isso permitiria que os investigadores do FBI tentasse diferentes combinações para “quebrar” a senha e conseguir os dados.

O governo está pedindo que a Apple crie uma backdoor no iPhone, afirma Tim Cook, que afirmou ainda que o que o governo está pedindo é algo que a empresa não possui e também é considerado muito perigoso para ser criado.

“Especificamente, o FBI quer que a gente crie uma nova versão do sistema do iPhone, burlando vários recursos de segurança, e instalá-lo em um iPhone recuperado durante a investigação”, afirma. “Em mãos erradas, esse software – que ainda não existe – teria o potencial de desbloquear qualquer iPhone em posse física de alguém.”