Claro é a primeira operadora a iniciar testes do 4,5G no Brasil

Da Redação
15/12/2015 - 17h40
Operadora fará agregação das faixas 700, 2.600 e 1.800MHz em Rio Verde, primeira cidade onde ocorrerá o desligamento da TV analógica. Velocidade de navegação chega a 300Mbps

Se há um consenso entre os profissionais de telecomunicações é o de que a faixa de 700MHz é indispensável para a maior cobertura do 4G no Brasil. Mas para que essa frequência seja usada pelas operadoras é preciso que ela deixe de ser usada pelas emissoras de TV. O primeiro teste dessa convivência acontece no interior de Goiás, na cidade de Rio Verde, onde a Claro inicia o projeto piloto de agregação das frequências de 700MHz, 2.600MHz e 1.800MHz para oferta do que o mercado convencionou chamar de 4,5G.

É a primeira vez que uma operadora utiliza a faixa de 700MHz, adquirida no leilão realizado pela Anatel em 2014, em um ambiente externo. A Claro adquiriu o lote mais disputado do leilão de 700 MHz, o 1, de caráter nacional, que contempla autorização de uso de radiofrequência de 10 + 10 MHz, por por R$ 2,9 bilhões.

Combinada com as frequências de 2,5GHz e 1,8 GhZ, os 700MHz não só ampliam o raio de cobertura para até 1 quilômetro e meio do site, como possibilita usar simultaneamente os recursos das três frequências, com uma experiência de navegação diferenciada, mais próxima do conceito 5G. Significa que em um raio de 300 metros próximo ao site, a velocidade média de navegação pode chegar a ser 45% maior que a do 4G e as velocidades instantâneas máximas podem chegar a 300Mbps. Isso porque a operadora usa 35 MHz de banda (20 MHz em 2,5 GHz; 5 MHz em 1,8 GHz e 10 MHz em 700 MHz) com velocidade semelhante (250-260 Mbps), mas com melhor alcance e performance. A partir de 300 metros, até 800 metros, é possível somar as capacidades das frequências de 1,8Ghz e 700Mhz. E a partir dos 800 metros, usa apenas os 10MHz da faixa de 700Mhz.

"Com celulares multibanda, o chaveamento entre as frequências são alocadas dinamicamente", explica Carlos Zenteno, CEO da Claro, unidade Mercado Pessoal.

Haverá também melhora no sinal indoor e ampliação de cobertura 4G e 4,5G, já que as bandas de 1800MHz e 700MHz são menos propensas a obstruções.

Para a realização do piloto, a Claro modernizou seus equipamentos, adquirindo radiotransmissores capazes de operar nas três frequências, e atualizou a versão dos softwares da rede.

"Hoje tivemos a oportunidade de mostrar as vantagens da tecnologia carrier agregation para ampliar a qualidade da oferta da banda larga móvel no Brasil", disse Zenteno. "Apesar de a banda ainda não estar liberada para uso comercial, os testes permitirão à Claro aperfeiçoar os serviços já oferecidos. Quando a frequência puder ser utilizada comercialmente, os clientes navegarão com mais velocidade e qualidade em sites e aplicativos que exigem uso intensivo de dados", completa o executivo.

Com esse piloto, o Brasil se soloca entre os países mais avançados do ponto de vista tecnológico em relação à banda larga móvel, na opinião de Zenteno, que fez questão de ressaltar que, para que o 4,5G com carrier agregation possa ser utilizada comercialmente no Brasil será necessário, impreterivelmente, utilizar a faixa de 700 MHz e, para isso, o processo de digitalização da radiodifusão deve ser implementado de acordo com o cronograma definido.

"E para que possamos desligar o sinal analógico de TV por completo, em 31 de dezembro de 2018, nós da área de telefonia estamos convictos de que precisamos rever os percentuais de migração da TV analógica para a TV digital em cada localidade, hoje em 93% dos lares, e fazer uma comunicação mais intensa, próximo ao desligamento, para que o consumidor seja devidamente informado", explica o executivo, lembrando que se o consumidor não for pressionado, ele não providenciará a compra de um conversor ou a troca do televisor para um já preparado para receber o sinal digital.

A preocupação procede. Em Rio Verde (GO), por exemplo, o desligamento da TV analógica e a liberação da faixa de 700Mhz estavam previstos para  novembro. Hoje, na cerimônia que marcou o início do piloto da Claro, o ministro das Comunicações, André Figueiredo, garantiu ao presidente da Claro que o desligamento na cidade acontecerá em fevereiro. Para isso, o governo pretende ampliar a distribuição de conversores gratuitos a famílias pobres da cidade, entre outras providências.