Prepare-se para viver em um mundo com 1 trilhão de dispositivos conectados

Sharon Gaudin - Computerworld USA
20 de setembro de 2015 - 23h39
Em apenas dez anos os sensores estarão em toda parte, nas paredes das casas, nas nossas roupas e até nos nossos cérebros

Esqueça a Internet das Coisas (IoT) da máquina de café e da geladeira controladas.  Em 2025, a IoT que você conhece hoje será muito mais sofisticada e estaremos vivendo num mundo com 1 trilhão de dispositivos conectados. Essa é a previsão de Alberto Sangiovanni-Vincentelli, professor de engenharia elétrica e ciência da computação da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

"A inteligência digital pode ser embutida em todos os lugares", diz Sangiovanni-Vincentelli. "O ambiente todo será cheio de sensores de todos os tipos. Sensores químicos, câmeras e microfones de todos os tipos e formatos. Os sensores vão checar a qualidade do ar e a temperatura. Microfones ao seu redor serão capazes de ouvir seus comandos de voz de qualquer lugar". 

"É sensacional. Os próximos 10 anos serão tremendos", diz o professor, que concedeu entrevista ao Computerworld durante o fórum sobre o futuro da tecnologia realizado pelo DARPA em St. Louis, Estados Unidos, na semana passada. Segundo o professor da Berkeley, não teremos apenas smartphones para nos comunicar.

Teremos uma onda enorme de sensores inteligentes e interconectados. Praticamente tudo ao nosso redor - das roupas às nossas casas - ganhará inteligência. Sensores poderão por exemplo ser misturados com a tinta e espalhados nas paredes das casas. Dessa forma, bastará falar em voz alta um comando para instantaneamente ter o que desejamos, de uma busca na web a uma ligação telefônica ou a convocação de um robô para limpar a casa ou fazer o jantar.

alberto sangiovanni

Força do pensamento

Mas o mais interessante, prepare-se, é que sensores implantados diretamente em nossos cérebros vão literalmente ler nossos pensamentos e não vai ser nem preciso falar para lançar um comando no ambiente, bastará pensar.

"A interface cérebro-máquina terá sensores instalados em nossa cabeça, coletando informação sobre o que pensamos e transmitindo esses comandos para o mundo a nossa volta", diz Sangiovanni-Vincentelli. "Eu penso que gostaria de tomar um espresso e lá vem um robô carregando uma xícara quentinha exatamente porque eu pensei nisso."

Pam Melroy, diretora do escritório de Tecnologia Tática do DARPA, diz que o professor não está sonhando. "No mínimo devemos nos preparar para isso e pensar o que é necessário. Acabamos nos dando mal quando a tecnologia acelera e ultrapassa nosso planejamento. Eu me preocuparia em correr agora para ter a estrutura mesmo que o cenário leve 20 anos para se concretizar", diz Melroy, que é oficial aposentada da Força Aérea dos EUA e ex-astronauta da NASA.

pam melroy darpa

Falta infraestrutura

De fato, para suportar a vida no planeta com 1 trilhão de dispositivos conectados, Sangiovanni-Vincentelli diz que há muito trabalho por fazer. Primeiro, claro, não temos a infraestrutura de rede necessária para suportar tantos dispositivos conectados.

Também vamos precisar de protocolos de comunicação que consumam quantidades muito pequenas de energia e que possam transmitir quantidades flutuantes de informação, explica o professor. As empresas vão precisar de um número enorme de sensores minúsculos e muito baratos. E vamos claro precisar de mais e melhores sistemas de segurança para nos proteger contra ataques de hackers a nossas roupas, paredes e até o cérebro.

E a nuvem vai ter de crescer para lidar com os dados que esse trilhão de dispositivos vai gerar. "Se tivermos a tecnologia pronta para isso, em dez anos chegamos lá", afirma Sangiovanni-Vincentelli.

Privacidade, que privacidade?

Com todos esses dispositivos, muitas pessoas vão ficar ansiosas sobre a sua privacidade pessoal. Mas Sangiovanni-Vincentelli não será uma delas. "A falta de privacidade não é uma questão. Nós já a perdemos completamente... se o governo quer me achar ele me acha. Tudo está gravado em algum lugar. O que há mais para perder?"

Melroy também está mais entusiasmada do que ansiosa sobre esse futuro digital. "Como tecnologista eu não temo a tecnologia", diz ela. "Acho que ela nos fazer mais saudáveis e mais eficientes é uma boa coisa. Há uma evolução social que acompanha a evolução tecnológica. Uma vez no passado nos preocupamos com a privacidade quando a câmera fotográfica foi inventada para tirar fotos de pessoas. O desafio é fazer com que o passo da mudança se case com a evolução social".