Aplicativos de táxi recebem sinal verde nas empresas brasileiras

Felipe Dreher
27/10/2014 - 09h30
Easy Taxi adiciona 75 novas empresas a sua carteira todos os meses; 99taxis projeta mais mil companhias usando seus serviços dedicados no próximo ano

Uma em cada quatro corridas de táxi realizadas no Brasil é paga por empresas. A proporção aumenta se pensarmos que um terço (algo como R$ 6 bilhões) dos R$ 18 bilhões movimentados por esse nicho da indústria de transporte de passageiros vem dos bolsos corporativos. Dados como esses e a visão de uma economia baseada em apps desperta o senso de oportunidade de empreendedores.

O potencial de mercado, obviamente, aguçou o interesse das empresas de aplicativos. As duas empresas de aplicativo para chamar taxistas mais populares do país lançaram serviços para atender essa demanda ainda no início do ano. Os resultados que contabilizam até agora são notáveis.

A solução corporativa da 99taxis está disponível desde março e já chegou a 100 das 150 cidades onde a companhia atua. Segundo Paulo Veras, CEO da empresa, o plano corporativo tem adesão de uma centena de clientes. “Em 2015 serão mais de mil”, projeta. “A maior parte das empresas ainda trabalha buscando táxis na rua e processando reembolsos, e isto vai acabar.”

A empresa oferece um pacote a partir de R$99 mensais, mais R$ 2,50 por corrida. De acordo com a companhia, o modelo via app chega a ser 40% mais barato que o serviço avulso. O transporte pode ser chamado por aplicativo no dispositivo do colaborador ou pela própria empresa, via computador. Ao final da corrida, o passageiro confirma o valor no smartphone do taxista.

A proporção de faturamento vinda do corporativo deve responder por algo entre 20% e 30% das receitas da empresa esse ano. O executivo, contudo, pondera que atualmente o grande volume de movimentações ainda está no B2C e que “esta oferta para o mercado empresarial é bastante recente”.

A Easy Taxi lançou um serviço para empresas um mês antes da concorrente, ainda em fevereiro. A ferramenta, que consumiu investimentos de US$ 2 milhões, permite aos passageiros solicitar um táxi através de uma conta corporativa.

“Há cerca de um ano e meio começamos a construir nossa solução corporativa”, comenta Michel Glezer, diretor global do Easy Taxi Empresas, citando que o primeiro movimento considerou reuniões com cerca de 500 empresas para entender quais eram as dificuldades na gestão do táxi. As conversas ajudaram a formatar a solução. “Vimos uma chance de entrar com um serviço inovador em um mercado que estava necessitando desse tipo de ferramenta”. 

Criada para facilitar a comunicação entre empresas e taxistas, a plataforma possui uma estrutura de backend completa, que possibilita o controle e monitoramento de gastos proporcionando uma economia de até 40% para as empresas. A solução permite que o passageiro peça o táxi pelo celular e efetue o pagamento no próprio aparelho, através de boleto eletrônico.

A solução está presente em todas as 100 cidades onde a companhia atua no país. O retorno, avalia o executivo, vem sendo bastante positivo. “Atualmente temos uma carteira de 300 clientes, e trazemos algo em torno de 75 novos nomes por mês”, adiciona Glezer, estimando que o serviço corporativo já represente algo em torno de 50 a 60% do faturamento bruto atual companhia.

Outro lado
Toda disrupção sempre desagrada algum lado da história. No caso dos aplicativos de táxi, as cooperativas foram as primeiras a acusar o golpe e se sentir prejudicadas pelos concorrentes tecnológicas. Em fevereiro, essas associações resolveram decidiram recorrer à Prefeitura de São Paulo na tentativa de impor restrições aos aplicativos. 

Na ocasião, a Associação Brasileira das Cooperativas e Associações de Táxis (Abracomtaxi), por meio da Artasp (Associação de Rádio-Táxis de São Paulo) e do Sinditaxisp (Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo), entrou com um pedido junto ao Departamento de Transporte Público, ligado à Secretaria Municipal de Transportes, para a regulamentação desses sistemas de tecnologia. Pelo visto, a medida não conseguiu conter o avanço da comodidade.​