Operadoras vão cortar Internet de usuário que atingir franquia

Luiz Mazetto
20/10/2014 - 15h34
A partir de novembro, empresas vão acabar com prática de "velocidade reduzida". Será preciso pagar valor extra para continuar com acesso normal.

As operadoras móveis do Brasil preparam uma mudança significativa na cobrança dos planos de Internet para telefones celulares que vai resultar no fim da já conhecida e temida “velocidade reduzida” de conexão para quem atinge a franquia contratada. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com a reportagem, a partir do próximo mês os usuários que atingirem o limite das suas franquias contratadas terão de desembolsar um determinado valor para continuar usando a Internet no celular. Até então, quando acontecia isso, os usuários podiam continuar usando a conexão de dados sem nenhuma cobrança adicional, mas com uma velocidade reduzida que muitas vezes causava muita dor de cabeça.

A Vivo será a primeira a adotar a mudança, já a partir do próximo mês de novembro. Inicialmente, a empresa irá oferecer essa nova modalidade de cobrança apenas para os clientes de planos pré-pago, mas planeja estender o modelo para os usuários pós-pagos. Em nota enviada ao IDG Now!, a Vivo confirma a informação e diz que a mudança passa a valer a partir de 6 de novembro nos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais - a empresa afirma que poderá estender a nova modalidade para outros estados. 

Oi confirma, TIM nega

Procurada pela reportagem do IDG Now!, a Oi confirmou que pretende acabar com a “velocidade reduzida” e enviou o seguinte comunicado: “A Oi está atenta ao mercado e entende que as mudanças nos hábitos de consumo de dados podem afetar a experiência do usuário de internet móvel, gerando uma percepção negativa em relação à navegação no celular. Dessa forma, a companhia considera o fim da velocidade reduzida, aliada ao novo modelo de cobrança por pacotes adicionais, uma tendência mundial e está avaliando com atenção essa estratégia. A Oi atualmente adota a navegação com velocidade reduzida após o término de suas franquias de dados e, no caso dos planos pré-pagos, os clientes podem contratar um pacote de dados adicional caso a franquia do plano contratado termine antes do previsto. Na modalidade pós-paga, o cliente também tem alternativas e pode solicitar, se julgar necessário, a mudança do seu pacote de dados, aumentando a franquia mensal – nesse caso, o cliente pode manter o novo pacote para o mês seguinte ou solicitar o retorno para a franquia anterior, sem a cobrança de multa.”

Em comunicado enviado para o IDG Now!, a TIM nega a informação publicada no O Globo e afirma que "não prevê qualquer ajuste por enquanto". Confira a seguir trecho da mensagem enviada pela assessoria da operadora para a nossa reportagem: "A TIM está atenta às tendências de mercado e acredita que mudanças no formato de tarifação de dados móveis são um movimento natural, em linha com o crescimento contínuo do uso de internet nos celulares e outros dispositivos. Os clientes necessitam de franquias cada vez maiores e de uma experiência de internet de alta qualidade e – nesse contexto – o modelo de redução de velocidade após o consumo dos pacotes pode criar uma percepção negativa do serviço. A operadora, no entanto, não prevê qualquer ajuste, por enquanto, e segue avaliando as diferentes possibilidades."

Posição da Claro

Procurada pelo IDG Now!, a assessoria da Claro ficou de enviar comunicado oficial sobre o assunto, o que não foi feito até a publicação desta reportagem.

Como funciona

Um usuário do plano pré-pago de 75MB da Vivo, que custa 6,90 reais por semana, terá de desembolsar 3 reais extras por semana para ter acesso a mais 50MB caso esgote sua franquia antes do fim do prazo.

Prática comum

Como alegado por executivos de algumas das operadoras, essa prática de acabar com a “velocidade reduzida”, em troca de realizar uma cobrança para manter a velocidade originalmente contratada, já é realidade há algum tempo nos EUA e países da Europa.

Anatel

Já a Agência Nacional de Telecomunicações afirmou que "não compete à Anatel restringir tais ofertas, mas tão somente resguardar que sejam garantidos os direitos dos consumidores e também que seja preservado o ambiente de competição na prestação destes serviços. Além disso, cabe ressaltar que é obrigação das prestadoras prestar informações aos consumidores de maneira clara e adequada desde o momento da contratação do serviço, independentemente de como esteja estruturada a oferta do serviço".

E aí, o que achou da novidade? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.