Anonimato é a nova febre entre os aplicativos sociais

Da Redação
11/02/2014 - 09h33
Em alguns momentos, não usar a identidade real pode ser favorável para as pessoas

Os primeiros dias da web foram caracterizados por chats anônimos. Isso rapidamente deu lugar, na era do Facebook, ao valor da verdadeira identidade online, especialmente para as marcas. Agora, o surgimento de aplicações que promovem o compartilhamento anônimo, desafia a lógica das redes sociais. Dois deles - o Secret e o Whisper (Segredo e Sussurro , nomes sugestivos) - estão entre os mais usados nos últimos meses.

Disponível na iTunes, o Secret é um aplicativo gratuito que permite compartilhar mensagens anonimamente através de suas redes sociais já existentes. É possível ver "segredos" compartilhados de amigos não identificados, amigos de amigos, bem como da comunidade em geral. Ironicamente, o Secret requer que os usuários façam login com seus números de telefone, que são usados ​​para ter acesso aos círculos sociais. Seus criadores Chrys Bader e David Byttow, ex-funcionários do Google, esperam que o anonimato e o fato de muitos usuários realmente se conhecerem na vida real, minimize comportamentos abusivos.

Disponível para dispositivos iOS e Android,por sua vez,  o Whisper permite compartilhar pensamentos – algumas linhas de texto contra um imagem de fundo – sem que seu nome real apareça. Diferente do Secret, os usuários podem ver os posts anônimos mais populares no site, independentemente de conhecerem o autor. E, justamente por não exigir que os usuários informem qualquer informação pessoal antes de postar, eles são mais propensos a se abrirem, deixando o pensamento fluir. O nome e e-mail são exigidos apenas daqueles que queiram fazer uso do recurso de mensagens do aplicativo, o WhisperText.

Analistas de mercado não esperam que nenhum dos dois apps vá substituir o Facebook, o Instagram ou o Twitter.  "Seria como dizer que as pessoas vão andar por aí usando máscaras o tempo todo", afirma Jason Stein, presidente da agência de mídia social Laundry Service.

Na opinião dele, apps como o Secret, o Whisper e, em menor medida, o Snapchat, endereçam o desejo dos usuários em manter certas comunicações privadas.

Michael Heyward, cofundador e CEO do Whisper concorda. Na sua opinião, apps como o Whisper e o Snapchat têm grande apelo porque reforçam a crescente conscientização de "pegada digital" e a ideia de que tudo o que você posta online pode levar até você. Com milhões de usuários - ele não revela exatamente quantos - a startup com sede em Santa Monica, na Califórnia, já recebeu 24 milhões de dólaresde empresas de capital de risco, incluindo Lightspeed Venture Partners.

"Na verdade, o Secret e Whisper atendem o desejo das pessoas para interações "anônimas, mas humanas", ainda que de forma ligeiramente diferente, segundo Duncan Watts, pesquisador da Microsoft. "Quando se trata de coisas das quais você não se sente orgulhoso, tem medo ou vergonha, as últimas pessoas no mundo com quem você deseja falar são seus amigos sociais".

Watts observou pela primeira vez o desejo das pessoas de "interações online anônimas, mas humanas" quando estudava o Yahoo Respostas. Segundo ele, o manto do anonimato provocou um aumento no número de usuários dispostos a fazer perguntas sobre questões de saúde mental ou gravidez indesejada. A parte surpreendente é que respostas a essas estão facilmente disponíveis através de pesquisas no Google, mas as pessoas não queriam só respostas, queriam a validação de um outro ser humano.

Se essa vontade de compartilhamento anônimo crescer, muitos analistas acreditam que outras grandes empresas como Facebook e Google tentarão adicionar essa função também. Na opinião de Stein, esses aplicativos podem se tornar irrelevantes rapidamente, se o Facebook cloná-los com sucesso. "Ele tentou fazer isso com Snapchat, embora com poucos resultados", afirma em entrevista publicada pelo Digiday.com.

Artigo recente da Businesweek comentando os 10 anos da rede social afirma que a equipe de Zuckerberg chegou a discutir seriamente essa possibilidade. Segundo antigos funcionários do Facebook, identidade e anonimato sempre foram tópicos de discussões acalorados na empresa. Mas Zuck mudou de ideia.