Daniela Moreira, editora assistente do IDG Now!" />

Entrevista: a nova cara da TV digital

Daniela Moreira, editora assistente do IDG Now!
03/04/2008 - 07h00
São Paulo - Fórum investe em estratégia para melhorar imagem da TV digital junto ao consumidor.

tv_digital_volta_88Quatro meses após a estréia da TV digital, em 2 de dezembro do ano passado, ainda pairam muitas dúvidas sobre o novo padrão de transmissão entre os consumidores. Com as vendas de conversores estimadas em pouco mais de 50 mil unidades, poucos telespectadores tiveram contato de verdade com a nova tecnologia e muitos desconhecem suas principais inovações, como a interatividade e a mobilidade.

Mais sobre TV digital:
> Especial: tudo sobre TV digital
> Saiba escolher produtos para TV digital

Diante deste diagnóstico, a Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre, responsável pelo padrão brasileiro, decidiu apostar em uma nova estratégia de divulgação: quiosques para “degustação” da TV digital, nos quais o consumidor poderá ver produtos funcionando e comparações ao vivo da tecnologia analógica com a digital.

A estratégia representa uma segunda chance para a TV digital decolar no Brasil - se não em vendas ou em número de telespectadores, ao menos do ponto de vista da imagem que os consumidores têm da tecnologia.

Em entrevista ao IDG Now!, Luis Olivalves, coordenador do módulo de promoção do fórum, detalha a nova estratégia de divulgação e comenta outros assuntos, como o prazo para a estréia da interatividade, a chegada da TV digital fora de São Paulo e os preços dos equipamentos. Confira.

IDG Now! - Foi divulgado recentemente na imprensa que o fórum estaria preparando um relançamento da TV digital para maio. Qual é o objetivo desta estratégia e como ela deve funcionar na prática?
Luis Olivalves - Não é um relançamento, o termo foi usado de forma equivocada. O que estamos fazendo é uma manutenção da campanha da TV digital. Ela foi iniciada no ano passado, a partir de outubro, usando exclusivamente os veículos de televisão, de radiodifusão. Após o lançamento, começamos a fazer pesquisas de mercado para entender em que situação o povo estava perante as tecnologias da TV digital, os recursos, os benefícios etc. e para preparar uma manutenção, entendendo o que devemos reforçar e de que forma.

A conclusão de uma reunião do fórum, que contou com a participação do mercado de radiodifusão, de indústria de recepção e transmissão, da academia, somada aos resultados da pesquisa, foi que a população está ciente da TV digital, que a campanha da Família Nascimento foi impactante, mas que as pessoas não estão a par de todos os benefícios e diferenças que ela traz em relação à tecnologia atual.

Daí surgiu a conclusão de que passar toda a comunicação pela TV não é suficiente. Precisa ter um ponto de contato com o cliente onde ele possa tirar as dúvidas in loco e perceber em tempo real a diferença entre a tecnologia digital e a analógica, a diferença do HD [high definition] para a qualidade convencional, para que possa degustar a interatividade, conhecer os equipamentos portáteis - esses são os grandes diferenciais da TV digital para o futuro.

Onde serão instalados os quiosques e como eles vão funcionar?
Estamos fazendo uma seleção das agências que vão oferecer esse serviço. Vamos entregar os recursos de pesquisas, feedbacks e resultados de reuniões para que eles possam formatar uma sugestão nessa linha: pontos de degustação, em locais de movimento e obviamente próximos ao varejo. As propostas vão ficar a cargo deles e vamos selecionar quem tiver a melhor estratégia.

A estratégia prevê treinamento dos vendedores no ponto-de-venda? Eles estão preparados para explicar ao consumidor como funciona a TV digital?
O varejo foi treinado pelos fabricantes, mas dependendo do nível de detalhe exigido, um apoio do fórum pode ser importante. Estamos entrando em contato com o varejo para estreitar o relacionamento e poder dar ferramentas de informação mais precisas e aprofundadas para que eles tenham uma ação mais efetiva no ponto-de-venda.

A mobilidade não foi um ponto muito enfatizado pelo fórum no lançamento. Com o lançamento dos primeiros celulares com TV digital em abril, há alguma ação prevista neste campo?
Mobilidade é o item revolucionário da TV digital. Receber um sinal gratuito de boa qualidade em movimento é um diferencial fantástico. Realmente no início como havia diversos aspectos para ressaltar acabamos dando preferência a qualidade, estabilidade de sinal e imagem de alta resolução. Agora que tem produtos na rua - os dispositivos de recepção USB, as TV portáteis, como a da Gradiente, os celulares da Samsung e da Semp Toshiba – são uma realidade, a campanha vai mostrar muito essa vertente da tecnologia. As pesquisas mostraram grande aceitação pela população de dispositivos móveis. Mesmo com um valor elevado, a intenção de compra é alta.

De acordo com esta pesquisa, quais são as principais dúvidas do consumidor em relação à TV digital?
Essas funcionalidades adicionais com as quais não tiveram contato, como mobilidade interatividade, a forma de recepção, a comparação com a imagem que têm em casa. Isso não é algo que se possa fazer no dia-a-dia, é preciso ver uma imagem ao lado da outra para ter a plena noção. Todos sabiam das melhorias, mas ao serem questionados sobre detalhes do produto ou comparações com o que têm em casa, eles ainda ficam na dúvida. Estão cientes do que aconteceu e do que vem pela frente, mas ainda não sabem como funciona na prática. 

A interatividade foi um dos recursos mencionados na primeira fase da campanha, porém ela ainda não está disponível. Isso não gera uma falsa expectativa junto ao consumidor? Para quando podemos esperar a interatividade de fato?
Esse é um ponto que realmente tem que ser reforçado e esclarecido. A interatividade realmente não está 100% homologada. Apesar de as emissoras já estarem fazendo testes, aplicativos de demonstração, e ter muita coisa funcionando, o produto final não está pronto, então a idéia é mostrar o conceito que vem pela frente, mas aproveitar a oportunidade para alinhar as expectativas do consumidor aos prazos de mercado. Não adianta ter aplicativo pronto e não ter receptor na rua, ou ter receptor pronto, o Ginga [middleware] homologado e ninguém transmitindo.

Em quanto tempo a interatividade estará pronta?
O mercado estima a chegada de produtos 100% homologados para interatividade em junho ou julho, mas não é nada oficial ainda.

A questão do preço ainda é um grande impeditivo para a adesão em massa à TV digital. Isso deve mudar com a estréia em outros Estados?
Isso é natural de uma nova tecnologia. O produto é caro no início. É um produto que traz componentes que ainda têm baixa escala de produção. O aumento das capitais, a penetração, a entrada de novos produtos concorrentes - é o caminho natural de escala de uma tecnologia nova. O fórum também promove melhorias, o governo faz parte do fórum e eles prometem soluções para reduzir alíquotas e melhorar as condições de produção.

Como está o cronograma de estréia em outros Estados?
Há um cronograma de implementação, mas não há data obrigatória de entrada do sinal, o que há é uma data limite para estar naquela capital. Neste momento, as emissoras podem entrar a qualquer momento no Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Fica a critério de cada radiodifusor definir o melhor timing de acordo com seu fôlego financeiro e suas estratégias de programação.

Há sinal de quando isso vai acontecer?
A maioria das emissoras quer estar operando no Rio de Janeiro e Belo Horizonte até o final do primeiro semestre. Algumas emissoras já planejam algo para maio.

Serão feitas ações de promoção locais?
Sim, estamos estruturando uma ação eficiente em São Paulo e, conforme os resultados, vamos replicar em outras praças, pois o objetivo do fórum é incentivar a implementação nacional.

Com o refinamento da estratégia de comunicação e com a evolução na concorrência e na disponibilidade, a TV digital entra em uma segunda fase, mais madura?
Acredito que sim. Hoje você tem sinal no ar, repostas de clientes em grande parte satisfeitos, as emissoras estão fazendo o fine tuning dos seus sinais, os fabricantes idem, então acho que é um momento positivo para nós.