Google confirma e detalha esperada plataforma para celulares Android

IDG News Service/EUA
05/11/2007 - 15h03
Miami - Apoiada por nomes de peso da indústria de telefonia, plataforma aberta poderá simplificar e baratear criação de aplicações móveis.

O Google confirmou nesta segunda-feira (05/11) sua antecipada plataforma para dispositivos móveis Android, apoiada por pesos-pesados da indústria, como T-Mobile, HTC, Qualcomm e Motorola.

A plataforma poderá transformar a indústria de dispositivos portáteis, simplificando e reduzindo os custos de desenvolvimento de aplicações móveis.

Além do Google, a Open Handset Alliance - responsável pela plataforma Android -, conta com mais de 30 parceiros. O objetivo da ambiciosa iniciativa é trazer inovação ao espaço da mobilidade e acelerar a evolução na forma como as pessoas acessam a internet pelo celular.

Como foi antecipado pelo IDG News Service, a plataforma de código aberto terá um conjunto completo de componentes, incluindo sistema operacional, camada de middleware, interface de usuário personalizável e aplicativos.

Os primeiros aparelhos baseados na plataforma devem chegar ao mercado no segundo semestre de 2008. A plataforma será disponibilizada sob licença open source, o que dará a seus usuários flexibilidade para customizar design e serviços, disse o Google.

A aliança vai lançar uma kit de desenvolvimento inicial para os desenvolvedores na próxima semana, com ferramentas voltadas à criação de aplicativos para a plataforma, segundo o Google.

Entre os membros da aliança figuram ainda Broadcom, eBay, China Mobile, Intel, LG Electronics, NTT DoCoMo, Nvidia, Samsung, Sprint Nextel, Telecom Italia, Telefonica, Texas Instruments e Wind River.

Uma ausência notável na lista é a Apple, tradicional aliada do Google, cujo popular iPhone pode sofrer um abalo à sua liderança em inovação mais cedo que o esperado graças ao esforço coordenado pelo Google.

Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (05/11), o Chief Executive Officer (CEO) do Google Eric Schmidt disse que o Android irá "criar toda uma nova experiência de mobilidade para os usuários com novas aplicações e funções que não poderíamos imaginar hoje."

Atualmente, há cerca de 3 bilhões de usuários de celular no mundo. Segundo Schimidt, melhorar o acesso destas pessoas a serviços e aplicações de internet se encaixa à missão principal do Google.

Schmidt disse que espera inserir a plataforma em "milhares" de celulares diferentes, incluindo, caso seja fabricado, um celular com a marca Google, o "Gphone."

O Android estará disponível gratuitamente por meio da licença "Apache v2", que Schmidt descreve como "a licença de código aberto mais liberal para operadoras móveis ou qualquer um."

Ao lado de Schmidt estavam os principais executivos das empresas parceiras da iniciativa: Deutsche Telekom, controladora da T-Mobile, HTC, Qualcomm e Motorola. Todos disseram que irão desenvolver produtos baseados na plataforma Android, embora não tenham informado mais detahes.

Aparentemente, grande parte da tecnologia Android vem de uma empresa homônima que foi comprada pelo Google em 2005. Um de seus fundadores, Andy Rubin, atual diretor de plataformas móveis do Google, também participou da coletiva de imprensa e prometeu informar mais detalhes sobre a plataforma assim que o SDK (software developer's kit) for lançado na próxima semana.

Rubin revelou que o componente do sistema operacional é baseado em Linux, e que o conjunto inclui o que Schmidt descreveu como um browser robusto, que será a chave para alcançar o objetivo de melhorar radicalmente a experiência do usuário de celular na internet, bem como a oferta de anúncios em dispositivos móveis.

Quando questionado sobre a ausência da Apple na lista de parceiros, mesmo tendo em vista que ele é um dos membros do conselho da empresa de Steve Jobs, Schmidt declarou que também é um "feliz" usuário do iPhone, mas que a missão do Android é gerar múltiplas "experiências móveis", incluindo muitas que ainda não foram inventadas.

Ao que tudo indica, a Apple não verá a iniciativa do Google com bons olhos, já que as alianças com empresas de telefonia e fabricantes podem beneficiar tanto mercados concorrentes como operadoras que não vendem o iPhone. A AT&T, principal parceira comercial do celular da Apple, também não está na lista de aliados do Google até o momento.

Há algumas semanas, a Apple anunciou seu kit de desenvolvimento de software para a criação de aplicações de terceiros no iPhone. O SDK deve estar disponível em fevereiro de 2008.

Juan Carlos Perez, do IDG News Service, de Miami