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Bluetooth, Wi-Fi e Wimax: conheça as tecnologias de conexão sem fio

Daniela Moreira, repórter do IDG Now!
09/02/2007 - 15h15
São Paulo - Saiba quais são as principais características e aplicações dos três principais padrões de comunicação sem fio.
Reportagem feita a partir de dúvida de leitor; saiba mais

wireless_02_88x65Conheça as principais tecnologias sem fio, que permitem conectar computadores, celulares e outros dispositivos a curtas, médias e grandes distâncias.

Bluetooth

O Bluetooth (IEEE 802.15.1) é um padrão sem fio para redes pessoais. Com um alcance restrito, é utilizado para conectar PDAs, celulares, laptops, PCs, impressoras e câmeras digitas a uma freqüência curta de rádio e com baixo consumo de energia.

A tecnologia oferece conexão sem fio a um alcance que pode ser de um metro (classe 1), 10 metros (classe 2 ) - que é o mais usual - ou 100 metros (classe 3). Entre as aplicações mais comuns da tecnologia estão a conexão de fones sem fio a celulares e periféricos (como mouses, teclados e impressoras) e dispositivos móveis (celulares e PDAs) ao computador.

Mas o Bluetooth também pode ser usado em controles sem fio para videogames e em conexões de computador para computador, que não exijam grande capacidade de banda. Outra aplicação que vem se tornando comum é o uso da tecnologia em telefones para voz sobre IP (VoIP), permitindo usufruir da conexão banda larga do PC para fazer ligações com a liberdade de movimento.

Uma das vantagens do Bluetooth é que dois ou mais dispositivos com a tecnologia se reconhecem e “conversam” automaticamente, dispensando configurações e procedimentos de conexão. Um dispositivo assume automaticamente o papel de “mestre” e pode se conectar a até sete “escravos” ativos.

Alguns dispositivos - como celulares, PDAs e notebooks - já vêm equipados com Bluetooth. Outros, como o computador, podem utilizar adaptadores para se tornar compatíveis. No caso do PC, basta plugar um adaptador USB para que ele possa se integrar a outros dispositivos Bluetooth.

Uma vez conectados, os dispositivos podem ser usados para executar comandos (no caso dos controles e periféricos), trocar arquivos (como fotos e músicas) e sincronizar dados (da agenda do computador para a agenda do celular, por exemplo).  

Mas a tecnologia enfrenta desafios no que diz respeito à segurança. É por meio da conexão Bluetooth que os vírus estão chegando ao celular. Aparelhos com o sistema operacional Symbian recebem códigos maliciosos por meio da tecnologia, embora o vírus só possa ser instalado se o usuário autorizar. Também já foi provado que é possível invadir as conexões, expondo os dispositivos conectados a ataques de hackers.

Wi-Fi


O Wi-Fi (abreviação de Wireless Fidelity) é uma nomenclatura atribuída a um conjunto de equipamentos que permitem estabelecer uma rede local sem fio (também conhecida como WLAN, do inglês Wireless Local Area Network).

Inicialmente criado para permitir que aparelhos sem fio se comunicassem com redes conectadas por cabos, atualmente o Wi-Fi é utilizado principalmente para possibilitar o acesso desses mesmos equipamentos à internet. A tecnologia também permite a comunicação entre desktops, eliminando o quebra-quebra de paredes para conectar os computadores.

Alguns equipamentos - como notebooks, PDAs e celulares - trazem recurso de Wi-Fi embutido. Outros, como o PC, precisam de adaptadores para se comunicar no padrão. Tipicamente, se utiliza um roteador ou access point ligado a um PC com conexão a internet para estabelecer a rede sem fio, distribuindo o acesso à web dentro de um espaço delimitado.

Um típico roteador Wi-Fi permite a cobertura de um raio de 45 metros em ambiente interno e 90 metros em área externa. Mas é possível criar redes de múltiplos pontos para garantir uma área de cobertura maior (conhecidas como Wireless Mesh Networks).

Há uma série de projetos em todo mundo que tem como objetivo garantir a cobertura de cidades inteiras com acesso wireless. É o caso de Grand Haven, no Michigan, primeira cidade dos Estados Unidos a contar com acesso Wi-Fi em todo seu território.

É também a tecnologia Wi-Fi que permite o acesso à internet sem fio em locais públicos – chamados de hotspots – como cibercafés, aeroportos, hotéis e etc.

Os aparelhos Wi-Fi operam em diferentes freqüências, padronizadas pela IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers).

Os padrões atualmente homologados são 802.11a, que opera na freqüência de 5 GHz e atinge velocidade de 54 Mbps (megabits por segundo); 802.11b, que tem velocidade de 11 Mbps e opera na freqüência de 2,4 GHz; e 802.11g, que também opera em 2,4 GHz, mas tem velocidade de 54 Mbps.

Também foi criada uma atualização de segurança do padrão, o 802.11i, que conta com o novo protocolo AES (Advanced Encryption System), que oferece maior proteção.

O grupo do comitê IEEE 802.11 trabalha ainda na definição do novo padrão 802.11n, que está na segunda versão de “rascunho”. O padrão pode atingir, potencialmente, 540 Mpbs de taxa de transferência - o que o faz 50 vezes mais rápido que o 802.11b e 10 vezes mais rápido que o 802.11a e o 802.11g. A Intel já incorporou o novo padrão à sua plataforma móvel Centrino.

WiMax

Teoricamente, o WiMax pode ser considerado uma evolução tecnológica do popular Wi-Fi. Tecnicamente, porém, o padrão de comunicação está a quilômetros de distância do Wi-Fi.

O protocolo 802.16, nome técnico do WiMax, permite atingir uma área de cobertura muito maior – um raio de até 50 quilômetros – e velocidade de até 70 Mbps. A velocidade de tráfego aliada ao potencial do sinal permite que uma única antena de WiMax ofereça banda larga sem fio para cerca de 60 usuários domésticos com conexões DSL - como a que você usa em casa para entrar na web. Em uma região com obstáculos, como prédios e acidentes geográficos, o alcance cai para aproximadamente 15 quilômetros.

O padrão tem duas versões. Uma delas (802.16d), homologada desde 2004 é conhecida como padrão fixo, que permite o acesso apenas quando o equipamento estiver parado. Mas ele já tem um rival, aprovado no início de 2006, o 802.16e, conhecido como padrão móvel, que permitirá que o acesso seja mantido mesmo com os dispositivos em movimento.

Com o WiMax móvel será possível, por exemplo, fazer downloads no celular e assistir TV em tempo real via banda larga em um carro em trânsito, sem perder a conexão. A principal aplicação da tecnologia deve ser na oferta de acesso a internet em áreas metropolitanas, rivalizando com as conexões tradicionais por cabo ou telefonia.

Já existem testes do emprego da tecnologia para este propósito em diversos países, inclusive no Brasil. A Intel realizou pilotos em diversas cidades, incluindo a de Ouro Preto, área de topografia complexa, onde o cabeamento é inviável, inclusive pela existência de muitos prédios tombados.

Mas por que ainda não temos acesso a essa tecnologia no dia a dia? Diferente do Wi-Fi, que utiliza apenas freqüência não-regulamentada, o WiMax pode operar em duas faixas distintas: uma livre e outra licenciada.

As empresas que forem estabelecer conexão interna ou entre filiais com a tecnologia podem usar a faixa não-licenciada, de 5,8 GHz. Porém, as operadoras de telecomunicações e as demais empresas que usarão a tecnologia para prover banda larga estão aguardando a licitação das faixas de 3,5 GHz e 10,5 GHz pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para atuar no espectro licenciado.

No entanto, a licitação que estava prevista para ocorrer em 2006 foi embargada pelo Tribunal de Contas da União, que alegou “inconsistências no estudo de viabilidade econômica apresentado pela Anatel”. Neste meio tempo, a Anatel e as operadoras vêm travando uma batalha judicial para determinar se as teles poderão ou não participar do leilão para adquirir espectro nas suas áreas de concessão - o que reduziria as possibilidades de se aumentar a concorrência e reduzir os preços das ofertas de banda larga nessas áreas pela introdução de novos competidores.

Até que as faixas sejam licitadas, WiMax é mais teoria do que prática no Brasil.