Análise: Fusão com AOL é a solução para os problemas do Yahoo?

IDG News Service/EUA
16 de outubro - 07h05 - Atualizada em 15 de março - 12h43
Miami - Circunstâncias e o momento conspiram para unir as companhias, mas dificuldades de integração podem fazer da negociação um fracasso.

Com os crescentes rumores de uma fusão entre o Yahoo e a AOL, alguns analistas de mercado dos Estados Unidos começam a alertar que o negócio poderia criar mais problemas do que soluções.

O Yahoo vem considerando a aquisição porque precisa de uma forma rápida, e certeira, de alavancar seu valor em um momento em que suas ações se encontrar em um patamar muito baixo. Comprar a AOL é uma das poucas opções que a companhia tem para aumentar instantaneamente suas receitas e ações em segmentos estratégicos.

Seu conselho e principais executivos continuam a receber críticas pesadas por impedirem a venda da empresa para a Microsoft. A oferta era de 33 dólares por ação. Hoje, os papéis da companhia estão cotados a pouco mais de 10 dólares.

Enquanto isso, crescimento das receitas de publicidade da AOL no ano, abaixo da média do mercado, tem desapontado os investidores.  Sua proprietária, a Time Warner, tem dado indicações que pode vender a companhia, seja inteira ou em pedaços.
“Parece que o ambiente e as circunstâncias estão conspirando para unir as duas companhias”, afirma Greg Sterling, analista da consultoria Sterling Market Intelligence.

Problemas de integração
Mas, o casamento relâmpago pode acabar sendo mais prejudicial do que benéfico para as duas empresas, caso crie pesadelos de integração que possam interferir em iniciativas importantes das comapanhias, como o Y OS (Yahoo Open Strategy) e a dolorosa transformação da AOL em provedora de acesso discado a empresa de mídia sustentada por publicidade.

Anunciado em abril, o Y OS é um complexo projeto de longo tempo que tem como objetivos tornar abertos os serviços do Yahoo para desenvolvedores externos e criar um painel único que permita aos usuários gerenciar seus serviços e atividades online em geral.
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Executivos do Yahoo afirmaram que o projeto é parte essencial dos esforços da empresa em renovar sua tecnologia e aumentar a capacidade de competir com rivais como MySpace, Facebook e Google.

“O Yahoo está tentando ser mais como seus rivais e, claramente, a empresa devia ter feito isso desde o princípio”, diz Rob Enderle, analista do Enderle Group. “Não tenho certeza que a AOL mude isso, de qualquer forma. O Yahoo sempre precisou descobrir aonde quer chegar e seu problema tem sido manter e executar uma estratégia”, afirma Enderle.

Para o analista, a empresa não deveria tentar incluir os produtos e serviços da AOL no programa Y OS imediatamente. Fazendo isso, o Yahoo quebraria o fluxo de trabalho do projeto, atrasaria o processo e, provavelmente, perderia o foco. “Um ponto negativo das fusões é que elas podem gerar distração nas empresas. Dependendo do que esteja sendo feito, esse tipo de negociação pode atrasar a execução de projetos em outras áreas”, explica.

Por estar diminuindo o número de sites e serviços online, a AOL agora tem uma carteira de produtos bem menor do que a do Yahoo. Por conta disso, a melhor opção é manter as operações da AOL isoladas, como um grupo independente que não interfere nos grandes projetos em curso do Yahoo.

A área de sistemas de publicidade, a combinação Yahoo-AOL cria um mix de produtos que as duas companhias vem tentando, sozinhas, racionalizar e integrar, em processos que estão em andamento.

“Certamente existe lógica nessa fusão, olhando de uma perspectiva de negócios, mas também existem questões de integração complexas que precisam ser resolvidas para uma negociação dessas ser eficiente”, relata Adrew Frank, analista do Gartner.
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“Não está claro para mim quanto tempo e dinheiro serão gastos nessa integração, uma vez que ambas as empresas fizeram tantas aquisições recentemente sem ter concluído totalmente a união desses produtos em suas arquiteturas. Essa é minha maior preocupação em relação à fusão”, completa Frank.

Ao mesmo tempo, as sobreposições nas operações levariam a reduções severas de funcionários que poderiam afetar a motivação dos trabalhadores, já bastante machucada nas duas companhias, especialmente no Yahoo, que tem um turnover bastante alto em posições de destaque.

A AOL não gostaria de resolver os grandes problemas que vêm afetando o Yahoo, incluindo o domínio do Google no mercado de buscas patrocinadas e a necessidade da companhia de ser mais efetiva em seu desenvolvimento tecnológico.

“Comprar a AOL não ajuda, necessariamente, o Yahoo a consertar nenhum de seus problemas reais”, afirma Enderle.

O que a fusão faria é unir duas companhias de Internet que vêm se lutando para resolver seus problemas e que possuem metas comuns, segundo Enderle. “A AOL vale mais para o Yahoo do que para a Time Warner”, afirma o analista.

Além disso, a negociação também eliminaria um competidor e impediria a Microsoft e o Google de aumentar suas bases de produtos comprando a AOL, já praticamente colocada à venda pela Time Warner.

Na parte de regulamentação, considerando que a AOL e o Yahoo são grandes players no mercado de publicidade tradicional, como banners, não é impossível que o governo americano analise com mais cuidado questões antitruste envolvendo a combinação das duas companhias.

Até o momento, nenhuma empresa quis se pronunciar a respeito da fusão.

Juan Carlos Perez - IDG News Service, EUA