O que é a Iniciative Q, projeto que promete dar dinheiro virtual 'de graça'

Da Redação
06 de novembro de 2018 - 15h01
Iniciativa já atraiu cerca de 3 milhões de pessoas ao prometer a elas uma certa quantidade da futura moeda em troca de seus endereços de e-mail

Há no horizonte a promessa de uma nova moeda que vem atraindo a atenção de internautas e despertando a desconfiança dos mais céticos. Batizada de Initiative Q, seus criadores a colocam como o "sistema de pagamento do futuro" e há gente que defenda que a "Q" teria potencial para até mesmo se tornar - um dia - um novo "Bitcoin", apesar de não se tratar de uma criptomoeda.

Segundo informações da Forbes, o projeto já atraiu 3 milhões de pessoas em apenas quatro meses ao prometer a elas uma certa quantidade da futura moeda em troca de seus endereços de e-mail.

Mas vamos por partes. Da onde surgiu e quem está por trás da moeda que muitos sugerem se aproximar de um esquema de pirâmide? Bem, a ideia é do israelense Saar Wilf. Ele construiu sistemas de integração para verificação de transações online e prevenção de fraude que depois foram adquiridos pela PayPal e também fundou a empresa Fraud Sciences, que atuava em prevenção de fraudes e depois comprada pela eBay.

"Não é um esquema para ficar rico e eu penso que é aí onde as pessoas ficam confusas", disse Wilf à reportagem da Forbes. 

A ideia de Wilf é, sobretudo, ambiciosa uma vez que se propõe se tornar, eventualmente, um meio de pagamento único e global. Mas diferente do bitcoin, ela não será descentralizada. Isso porque a proposta é envolver uma espécie de Banco Central, um comitê independente que monitore a atividade e as reservas. A "Q" ainda está bem no início, mas a expectativa do projeto é que uma unidade de Q se equipare ao valor de 1 dólar. 

Como conseguir uma "Q"? 

Para entrar na rede da iniciativa você precisa ser convidado por alguém que já participe dela. Ao ser convidado, você precisará convidar então mais cinco pessoas. A estratégia de marketing soa como pirâmide, mas não configura uma, pois não exige que seus participantes paguem por qualquer coisa e não há uma hierarquia entre o grupo. O único risco, aparentemente, é você receber uma série de e-mails sobre o projeto, os quais, provavelmente, você não terá tempo para ler. O site explica que armazena os dados pessoais dos cadastrados de forma segura e que não os compartilha com mais ninguém. Mas deixa claro "Nós lhe enviaremos e-mails apenas em relação ao projeto e sua conta".

Uma moeda só tem valor quando as pessoas a usam. E, por enquanto, ela não saiu ainda do papel.  A previsão do projeto é recrutar mais "early adopters" até meados de 2019. Depois disso, desenvolver a rede de pagamento. 

Os pagamentos em Q seriam feitos por meio de um aplicativo móvel e ele seria aceito tanto em lojas virtuais como em restaurantes e lojas físicas. Mas afinal, por que sair distribuindo "dinheiro" por aí a quem se cadastrar?

"Você tem que atingir um ponto crítico se você quiser criar uma moeda e é isso que nós estamos tentando fazer", disse Wilf à Forbes.