Facebook e Twitter encaram ceticismo do Congresso dos EUA em nova audiência

Da Redação
05/09/2018 - 17h11
Sheryl Sandberg e Jack Dorsey testemunharam durante audiência nesta quarta(4); Senadores questionaram habilidade das empresas em lidar com influência de agentes externos e discursos de ódio

Crédito/Imagem: Reprodução YouTube

A COO do Facebook Sheryl Sandberg e o CEO do Twitter Jack Dorsey testemunharam no Senado norte-americano nesta quarta-feira (4). Larry Page, CEO da Alphabet, empresa mãe do Google, também foi convidado para a audiência, mas declinou o convite e se limitou a enviar um testemunho escrito entregue por Kent Walker, SVP Global Affairs e Chief Legal Officer. 

Os executivos das duas empresas foram questionados sobre os seus esforços para investigar a influência russa nas eleições e política norte-americana e as ações para conter fake news e discursos de violência. 

Sandberg reconheceu que a empresa demorou para responder aos esforços russos para interferir na eleição em 2016, mas insistiu que a empresa está melhorando e lembrou que o Facebook removeu "centenas de páginas e contas envolvidas em comportamento não autêntico coordenado - o que significa que eles enganaram os outros sobre quem eram e o que estavam fazendo", disse a executiva. 

Já Dorsey reforçou que o Twitter suspendeu 770 contas por violar as políticas da rede social e lembrou que a empresa notificou à polícia no mês passado sobre contas que pareciam estar localizadas no Irã. 

Entretanto, o Congresso pareceu não estar convencido e disse que não é mais o suficiente. 

"Infelizmente, o que eu descrevi como 'vulnerabilidade de segurança nacional' e 'risco inaceitável', em novembro, continua sem solução", disse o senador Richard Burr, presidente do comitê.

"Eu sou cético em acreditar que, eventualmente, vocês conseguirão endereçar verdadeiramente esse desafio por conta própria", disse o senador do estado da Virgínia, Mark Warner. "A era do oeste selvagem nas redes sociais está chegando ao fim", sugerindo que seria o momento de regular as plataformas.

Alex Jones, do site de teorias da conspiração Infowars, jogou um pouco mais de tensão à audiência. Durante transmissão ao vivo, Jones disse ter viajado do Texas para Washington, para encarar o que chamou de seus acusadores depois de ser banido do Facebook, Twitter e do YouTube no mês passado. Jones também foi acusado de promover discursos de ódio, racistas e homofóbicos. 

O tema da audiência "Influência estrangeira e o seu uso das redes sociais" transbordou para outras questões acerca das práticas de colecionamento de dados a relatórios de transparência. Houve ainda a preocupação levantada pelo senador Angus King e James Lankford sobre a ameaça dos chamados DeepFakes, como são chamados os vídeos e áudios que foram alterados por um programa de computador para mudar, e de forma convincente, o que as pessoas estão dizendo e fazendo. Os senadores questionaram Sandberg sobre o fenômeno e levantaram a preocupação sobre as pessoas não poderem mais confiar em que seus olhos veem. A COO do Facebook garantiu que a rede social está investindo para endereçar o problema. 

A audiência acontece cinco meses após o CEO do Facebook encarar sua sabatina no Senado, seguindo os escândalos envolvendo o udo indevido de dados de milhões de usuários pela consultoria política Cambridge Analytica.