Como é trabalhar em startups no Brasil? Documentário no Instagram tenta responder

Da Redação
02/08/2018 - 11h00
Declarações trazem à tona questões discutidas em planilha compartilhada no Google Drive, como baixos salários, assédio moral e sexual, problemas de gestão, entre outros

A produtora Smarty Talks lança no Instagram nesta quinta-feira (02/08), o documentário "Emprego dos Sonhos. Ou Não! (Startups)". Com 16 episódios de um minuto cada, a produção tem o objetivo de ampliar o debate acerca de uma polêmica planilha compartilhada em maio no Google Drive e cujo título resumia um pouco do que buscava explorar. O documento "Como é trabalhar em uma startup" reúne depoimentos anônimos de funcionários de startups sobre os bastidores dessas empresas no Brasil e foi criado pela @startupdareal, um perfil no Twitter e Medium com publicações ácidas a respeito do ecossistema das startups.

As declarações coletadas para o documentário trazem à tona questões discutidas no documento, como baixos salários, assédio moral e sexual, problemas de gestão, entre outros.

Segundo Diego Monteiro, sócio da produtora e idealizador do projeto, o filme contribui para desmistificar o senso comum em torno do ambiente de trabalho nas startups. "Queremos mostrar os dois lados da relação entre empregado e startups, discutindo um pouco como é trabalhar neste mercado. Com os depoimentos, trouxemos uma visão conciliatória da discussão que consta nesta planilha, mostrando como lidar com a situação. Nosso propósito é deixar o registro para que todos os profissionais do segmento possam debater mais sobre o assunto e tomar decisões", explicou.

Para o CEO da RankMyApp, Leandro Scalise, nos últimos quatro anos muito se elevou a expectativa das startups e "as próprias startups quiseram vender o conceito de que tudo é uma maravilha", pontua ele em um dos depoimentos do filme. Ele, entretanto, tenta justificar a questão salarial, reclamação recorrente na planilha, também tem seus contrapontos: "uma startup geralmente não consegue competir com o salário de uma grande empresa. Então, ela precisa competir de outras formas, talvez com um plano de carreira acelerado, que é o que a gente faz".

Já a responsável pela área de Cultura e Pessoas do mesmo aplicativo, Gabriela Spricigo, explica que as startups acabam não sendo tão diferentes de ambientes mais tradicionais em relação ao machismo e ao assédio. "São coisas que você não espera encontrar em um ambiente tão inovador e é uma questão que aparece muito quando você analisa a planilha", comenta.

João Alberto, colaborador da RankMyApp, reforça a ideia de que "muitas empresas pequenas querem passar uma imagem de que são super inovadoras, com um modelo horizontal, onde não há hierarquia, mas, na realidade, parecem um banco dos anos 70".

O mini-documentário estará disponível no Instagram da Smarty Talks, no perfil @smartytalks.

*Atualizamos

A notícia foi atualizada às 15h05 para incluir os devidos créditos da autoria da planilha "Como é trabalhar em uma startup". 

Em comunicado, a assessoria de imprensa da Smarty Talks informou que a estreia do documentário no Instagram sofreu atraso e só será liberada a partir do dia 8 de agosto na rede social.