O que esperar do Bitcoin no futuro?

Guilherme Borini
26 de julho de 2018 - 12h45
Principal criptomoeda ganha notoriedade, mas ainda dá primeiros passos

O assunto criptomoedas é uma das novidades que mais têm despertado curiosidade nos últimos anos. Afinal, o que são, como investir e qual o futuro das tão faladas moedas digitais? São algumas das principais dúvidas do mercado e do público em geral.

Em meio ao surgimento de novos conceitos no mundo digital, as criptomoedas têm gerado grandes discussões - e disrupções - no setor financeiro. Seja para entendimento do mercado ou para debates sobre regulação, o fato é que o tema tem ficado cada vez mais amplo.

A principal "estrela" do assunto é o Bitcoin, a mais famosa criptomoeda, criada em 2008 e primeira a usar criptografia para transações seguras. Mas qual é o verdadeiro estágio do Bitcoin e qual o futuro dele?

Atualmente o valor de um Bitcoin é de R$ 30 mil, mas a rápida valorização conquistada nos últimos anos não representa necessariamente que a tecnologia está consolidada. É o que aponta Gustavo Chamati, CEO do Mercado Bitcoin, uma das principais corretoras de criptomoedas no Brasil, que indica que o Bitcoin ainda está no começo e tem muito caminho para evolução pela frente.

"Como toda tecnologia disruptiva, o Bitcoin passa por um período de entendimento. Quando falávamos de direitos autorais em MP3, por exemplo, esse assunto ficou em voga muito tempo até que criaram leis", comparou o executivo, durante conversa com jornalistas na sede da empresa, em São Paulo (SP).

Um número citado por Chamati comprova o quanto o mercado ainda está em um estágio inicial. Atualmente apenas 13 mil empresas no mundo aceitam criptomoedas como forma de pagamento, sendo 200 no Brasil. "Isso é nada ainda. Estamos muito no começo do potencial que esse tipo de tecnologia pode ter", afirmou.

Parte desse entendimento passa também pela confiança e aceitação de órgãos reguladores. "Bancos centrais também precisam entender a tecnologia. Ela existe e vai perdurar. Governos mais rígidos proibiram, outros mudam a legislação para aproveitar uma indústria que está nascendo. É uma tecnologia que promove uma disrupção em todo o mercado" disse o executivo, que destacou e mostrou confiança no trabalho do Banco Central do Brasil em cima do tema. "O Banco Central do Brasil tem pessoas muito competentes e entendidas desse assunto."

Em busca de uma regulamentação, corretoras brasileiras de Bitcoin, em parceria com companhias de blockchain, criaram a Associação Brasileira de Criptoeconomia (Abcripto), entidade presidida pelo economista-chefe do Mercado Bitcoin, Luiz Calado. 

Ornitorrinco do futuro

Chamati classifica o Bitcoin como um ornitorrinco, sendo usado como moeda, commodity e ativo. "Ele pode ser muitas coisas. Preferimos usar o termo cripto ativos, que é mais genérico. Pode ser uma moeda para usar como pagamento de bem ou serviço. É usado como commodity para reserva de valor. Ou como ativo porque é usado de maneira especulativa para investimento", explicou.

Para o futuro, o especialista acredita que várias das moedas digitais serão utilizadas para diferentes fins. Um deles é como valor, servindo como forma de pagamento. Ainda, outra possibilidade seria para construção de contratos inteligentes, por meio da tecnologia blockchain. Ou como ativo, da forma que já vem sendo utilizada por investidores.

Mas o desafio, antes disso, é ainda descomplicar e traduzir a tecnologia de maneira simplificada para o público em geral. "Muita gente ouviu falar de valorização e fez investimentos. Pode ter ganhado ou perdido. O uso de Bitcoin como tecnologia quebrou a barreira para boa parte da população em relação a fazer primeiro investimento. Abre oportunidade para nós e esse é o nível de consciência, ao mesmo tempo levar consciência financeira", completou.

Para auxiliar no entendimento do público geral, o Mercado Bitcoin tem apostado fortemente em estratégias digitais, com atuação constante em redes sociais, além de campanhas de marketing e ações com influenciadores e jornalistas.