Como investir em Bitcoin?

Déborah Oliveira*
26 de julho de 2018 - 15h29
Muitos consideram investir em uma criptomoeda, mas não sabem por onde começar. Separamos algumas dicas que podem ajudá-lo

Lançada em 2008, o Bitcoin foi ganhando popularidade aos poucos. A moeda virtual passou a ser a vedete do mercado, mas logo gerou preocupação em função da sua volatilidade. Muita gente ganhou dinheiro, mas outras pessoas também perderam bastante. 

Mais recentemente, outras moedas digitais surgiram, como Litecoin, Ethereum, Bitcoin Cash e Ripple. O fato é que as moedas virtuais são tendência e têm muito terreno para crescer nos próximos anos. 

Diante do cenário, muitos consideram investir em uma criptomoeda, mas não sabem por onde começar. Separamos algumas dicas que podem ajudar. 

Trading, compra e venda de bitcoin 

No trading de bitcoin, muitos apostam na compra da moeda quando ela está em baixa e na venda, quando em alta. Casas de câmbio, ou as exchanges, fazem o meio de campo, cobrando uma taxa de transação. 

Dimitri DeFigueiredo, Product Owner – Trading do Mercado Bitcoin, empresa de Exchange, conta que no caso do Mercado Bitcoin, o cliente, ou um robô, entra no site da empresa, se conecta e faz a transação. Hoje, o valor de um bitcoin é de cerca de R$ 30 mil. 

“A dinâmica é muito parecida com a compra e venda no mercado tradicional de ações, mas há coisas que facilitam a vida, como a possibilidade de quebrar o bitcoin, sendo fracionado até a oitava casa decimal”, explicou o especialista, lembrando que um bitcoin equivale a 100.000.000 (100 milhões) de Satoshi. 

Antes de mais nada, é preciso criar uma carteira para transações da moeda. A redação usou o aplicativo BRD para adquirir uma quantidade de Bitcoin. Essa carteira é muito parecida com a conta de um banco, mostrando as moedas e os valores em moedas virtuais e real. O aplicativo oferece outras opções de moedas, como o Ethereum. Não é necessário qualquer registo ou inscrição. 

A compra pode ser feita de diferentes métodos, como cartão de crédito, via ATMs especializados em transações deste tipo, bem como via transferência entre usuários. Neste último caso, o modo é simples. Basta escolher a opção de transferência de valores e a ferramenta cria um QR Code que, após aproximação com outro dispositivo (com uma outra carteira virtual), realiza a transferência. 

No caso dos ATMs, são apenas 2,7 mil em todo o mundo, sendo menos de cinco no Brasil – a maioria para exibições em eventos ou ações de marketing. A Mercado do Bitcoin recentemente importou uma máquina desse tipo. 

Mineração de Bitcoin 

Gustavo Chamati, CEO e sócio-fundador da Mercado Bitcoin, explicou que algumas pessoas optam por minerar Bitcoin de forma independente com o desejo de ficar milionário. Mas a realidade é muito diferente. “No começo, muita gente ganhou dinheiro com a mineração, mas hoje essa é uma atividade empresarial, que requer altos investimentos”, comentou. 

Também é um investimento de alto risco, lembrou. Além da complexidade de mineração, o nível de hardware para minerar Bitcoin também é alto, já que cada a 48 horas o nível de dificuldade de fazer mineração é ajustado pelo tamanho da rede, sem mencionar o gasto de energia. 

“É uma atividade que não vale a pena. Ter computador minerando bitcoin não paga a própria energia que consume”, revelou o economista-chefe do Mercado Bitcoin, Luiz Calado. Com 12,5 Bitcoins sendo minerados a cada dez minutos, isso significa que o custo médio de energia de um Bitcoin equivale a 20 barris de petróleo, por exemplo. 

Segundo pesquisa do economista holandês Alex de Vries, especialista em bitcoins do Experience Center da PwC na Holanda, a rede de computadores envolvida na produção de Bitcoins consome no mínimo 25 terawatts/hora, valor semelhante ao da energia elétrica consumida na cidade de São Paulo, ou em um país como a Irlanda.

*Colaborou Guilherme Borini