Por que um serviço completo de assinatura da Apple poderia incomodar a Netflix

IDG News Service
02/07/2018 - 17h44
Ao integrar todos serviços de streaming, Apple teria uma grande força em mãos para lançar plataforma de vídeos sob demanda para competir com Netflix, Hulu e Amazon Prime

Não é segredo que a Apple está montando um serviço de vídeo para rivalizar com Amazon Prime, Netlifx e Hulu. Com mais de uma dúzia de programas supostamente em desenvolvimento e um contrato de anos com a Oprah Winfrey, um anúncio da Apple Video faz parecer que a ferramenta chegará junto com os novos iPhones, em setembro. 

O que ainda não se sabe é sobre como os usuários obterão o serviço e quanto custará. Uma matéria do The Information tenta dar uma luz sobre a primeira parte. Fontes próximas ao assunto disseram à publicação que a Apple planeja reunir todos os seus serviços em uma assinatura gigante, combinando o Apple Music, o armazenamento do iCloud e um novo serviço de notícias com suas ofertas de vídeo. Basicamente, seria uma versão da Apple do Amazon Prime. E, se o preço for justo, pode funcionar. 

Grande parte dos usuários provavelmente está inscrito em ao menos dois serviços de streaming, então não é difícil dizer que as pessoas estão dispostas a pagar mais de US$ 200 por ano em conteúdo sob demanda. 

Então, onde um pacote "mega" da Apple se encaixaria nessa concorrência? Para descobrir isso, vamos dividir o que estaria no pacote: 

Apple Music 

A Apple já cobra R$ 16,90 por mês pelo seu serviço de música, com acesso a 45 milhões de músicas, playlists selecionadas e armazenamento em nuvem para até 100 mil músicas. 

Vídeo da Apple 

A Apple está desenvolvendo uma série de programas de TV, incluindo conteúdos com Reese Witherspoon, M. Night Shyamalan e Steven Spielberg. Supondo que a Apple ofereça todos os títulos em 4K, sem comerciais, pode ser considerado um valor de US$ 10 por mês, ou até US$ 15, dependendo do catálogo. 

Notícias da Apple 

No início deste ano, a Apple comprou a banca de jornais digital Texture, um serviço de assinatura de revistas com mais de 200 títulos populares, incluindo People, ESPN e Vanity Fair. A empresa já administra um aplicativo de notícias que agrega conteúdo de jornais, revistas e editores da web, portanto, é provável que esse novo serviço seja uma camada premium do serviço gratuito. O conteúdo poderia valer US$ 10 por mês. Mas, se for menos sobre questões individuais e mais sobre acesso a conteúdo exclusivo, pode custar menos. 

Armazenamento iCloud 

Os planos de armazenamento mais baratos do iCloud custam de R$ 2,90 a R$ 29,90. Algo que pode render aproximadamente R$ 360 por ano no pacote premium. 

Nossa aposta é que a Apple continue oferecendo todos os serviços individuais por US$ 10 ao mês ou ainda agrupará todos os serviços com 100 GB de armazenamento em nuvem por US$ 20 por mês. Ainda que possa ser mais caro que seus concorrentes, a opção de comprar cada serviço individualmente tira o peso do valor. 

Qualidade acima de quantidade 

O pilar do novo serviço da Apple são os vídeos. Porém, a Apple precisará investir de maneira mais eficaz em seus programas. O Netflix não seria o gigante do streaming sem House of Cards, e o Hulu não teria 20 milhões de assinantes se The Handmaid's Tale não tivesse vencido oito Emmys. O preço é uma coisa, mas é necessário que haja valor associado a ele. A Apple precisa oferecer uma tentação semelhante se quiser competir. 

E lembre-se: a Apple tem uma coisa que todos esses outros serviços não têm: exposição. Um serviço completo precisa de um caminho dedicado para a entrega. Se a Apple usar o aplicativo de TV existente para armazenar todos os seus programas ou reintroduzir vídeos, ela teria um público interno de centenas de milhões de pessoas que precisariam apenas tocar para começar a assistir. Se houvesse um hit do tamanho de Stranger Things no meio, o Netflix talvez precise começar a olhar por cima do ombro.

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