Criptomoedas podem entrar em colapso à medida que crescem, alerta entidade

Da Redação
18/06/2018 - 11h35
Para Banco de Compensações Internacionais, criptomoedas estão mais propensas a sofrerem colapso de confiança e eficiência a medida que mais pessoas passam a usá-las

Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), entidade que promove a cooperação entre os bancos centrais, emitiu alerta sobre a ascensão das criptomoedas neste domingo (17/6). Em seu relatório anual, o BIS defende que as criptomoedas estão mais propensas a sofrerem um colapso de confiança e eficiência a medida que mais e mais pessoas passam a usá-las. Algo que, inicialmente, pode soar contraditório, mas para a entidade, é preciso confiança na estabilidade de seu valor e na habilidade de escalar sua eficiência. Mas confiança pode desaparecer instantaneamente devido a fragilidade das redes decentralizadas nas quais as criptomoedas dependem.

Segundo o banco, tais redes devem ficar congestionadas a medida que elas ficam maiores. Quanto mais alta as taxas de transações das criptomoedas mais conhecidas - o bitcoin sendo uma delas - mais limitado o número de transações por segundo elas conseguirão lidar. 

Tais preocupações colocam em questão a finalidade dos pagamentos individuais, diz o BIS, e também "significa que uma criptomoeda pode simplesmente parar de funcionar, resultando em sua perda total de valor",  alerta.

Em entrevista a Reuters, o chefe de pesquisa do BIS, Hyun Song Shin, lembra a máxima de que o dinheiro só tem valor porque ele tem usuários. Entretanto, a maioria daqueles que buscam as criptomoedas as mantém, puramente, por propósitos especulativos. 

"Sem usuários, seria simplesmente um token sem valor. Isso vale para um pedaço de papel com um rosto impresso ou um token digital", disse Shin comparando moedas digitais com cartões de baseball ou um Tamagotchi. 

Shin também chama atenção para os altos custos de energia que criptomoedas exigem para suas transações e mineração. 

Por fim, o Banco de Compensações Internacionais pede aos bancos centrai repensarem os potenciais riscos de emitir suas próprias criptomoedas, apesar de nenhum BC ainda tê-lo feito. Sobre a regulação das critomoedas, a entidade lembra que para se tornar efetiva ela precisa ser global.