Compartilhamento de informação é crucial para movimentar economia

Vitor Cavalcanti
13 de junho de 2018 - 17h29
Presidente da TransUnion no Brasil, Juarez Zortea, defende trabalhar limites, mas frisa que benefícios ao cidadão devem ser colocados em primeiro lugar

Em tempos de GDPR, a regulamentação europeia para proteção de dados que entrou em vigor em maio deste ano, falar em compartilhamento de dados ou uso de informação para avaliações e construção de perfis pode parecer complicado. Mas o fato é que diversas empresas utilizam dados abertos e informações compartilhadas com anuência das pessoas para construção de perfis, análise de crédito e perfil de compra. Estariam elas com desafios maiores? Cabe ao governo decide como e o que pode ser compartilhado?

Em uma conversa com o presidente da TransUnion durante o Ciab, a IT Mídia questionou o quanto leis como o GDPR impactam o trabalho e produtos como o da companhia de origem norte-americana que faz rating de crédito prestando serviços para bancos, seguradoras e varejistas. Juarez Zortea, que lidera a companhia no Brasil, foi enfático ao dizer que sim traz impacto.

No entanto, o executivo não se posicionou contra regulamentações que estabeleçam limites para o uso e compartilhamento de dados dos cidadãos, contudo, lembrou que tais limites não podem inibir negócios e tampouco prejudicar o consumidor de tal forma que ele fique invisível aos olhos de uma sociedade que vive uma transformação econômica e digital, muito pautada pela ideologia do compartilhamento. Além disso, frisou o executivo, nos dias de hoje é praticamente impossível viver sem deixar qualquer pegada digital ou sem compartilhar qualquer tipo de dado, por mais discreta que a pessoa seja ou pouco uso de redes sociais e outros serviços digitais que faça.

“A criação de um limite é saudável, é preciso ter um equilíbrio, sempre tendo em vista proteger o cidadão, mas também não pode ser uma coisa que iniba o cidadão de acessar serviços e produtos. Se a pessoa for invisível perante o mercado e a economia, ou não terá acesso ou será altamente precificado por isso”, comentou Zortea.

O mercado trabalha de uma forma muito simples, quanto menos informação, maior o risco, quanto maior o risco, maior será o preço ou taxa de juros e menor será o limite de crédito liberado para uso. Uma das coisas defendidas, nesse sentido, é o Cadastro Positivo ainda em discussão e a própria Lei de Proteção de Dados que o Congresso Nacional vem tratando, mas com pouca velocidade. Zortea, no entanto, é otimista, acredita no Cadastro e entende que, embora demorada, a Lei de Proteção de Dados está estruturada de maneira interessante.

“Atuamos há muito tempo com isso e entendemos que o compartilhamento de dados é bom para a economia. Se não tem informação, não temos como entender desejos, necessidades, trajetória de vida, capacidade de compra. Sem esses dados, as empresas entendem que o risco fica maior e isso impacta preço e juros. O Brasil é um exemplo, hoje temos um universo de pessoas não bancarizadas que podem se beneficiar de cartões, créditos e serviços por meio desse tipo de análise, mas se não tem informação, elas são privadas do acesso”, pontuou, lembrando dos milhares de negativados sem crédito na praça que, por meio de análise de perfil atualizada e com base em informações diversos, poderiam ser reinseridos e ajudar na recuperação da economia.