Opinião: Não acredite no hype, ainda estamos longe do 5G

Steven J. Vaughan-Nichols, Computerworld / EUA
30 de maio de 2018 - 13h00
Apesar de prometida para muito em breve por operadoras, a tecnologia ainda enfrenta diferentes questões e limitações técnicas.

Adoraria que o 5G, com as suas velocidades de 490MB/s e tempo de latência de downloads de 17 milisegundos, estivesse logo ali na esquina. Mas ele não está.

Eu sei, eu sei. Diversas operadoras, como AT&T, Verizon, T-Mobile e Sprint estão prometendo o 5G para muito em breve. No entanto, existem diversas razões técnicas e de negócios que me fazem acreditar que teremos sorte de ter o 5G em 2021, quanto mais no final deste ano.

Primeiro, no lado da tecnologia: não temos nenhum entendimento comum sobre o que o 5G é. A Next Generation Mobile Networks Alliance  possui uma definição do 5G, enquanto a 3GPP tem outra e a International Telecommunications Union (ITU) uma terceira, que acabou de passar pelas aprovações iniciais. Então há o que os fornecedores estão realmente fazendo, que traz alguma semelhança com todas essas propostas.

E então há as questões puramente práticas, como o alcance do 5G. O Enhanced Mobile Broadband (eMBB), que é apenas um dos três “sabores” do 5G, é o que você usará com o seu smartphone. Ele faz uso do multiple-input and multiple-output (MIMO) e do millimeter wave (mmWave) para, na teoria, entregar velocidades na casa dos gigabit enquanto que você estiver na rua e quiser assistir a um filme em 3D, por exemplo. No entanto, é bom não passar na frente de um caminhão autônomo.

Apesar de uma pesquisa importante ter afirmado que sim, “Millimeter Wave Mobile Communications for 5G Cellular: It Will Work!”, ainda existem muitas dúvidas. O alcance real do mmWave parece ser em torno de 500 metros. O 4G? Possui um alcance que varia entre 4,8km e 48km. Pense nisso por um minuto. Isso significa muitas novas torres celulares, certo?

Agora, no futuro novo e brilhante do 5G, as “torres” celulares serão femtocells muitos menores, mais ou menos do tamanho de fornos micro-ondas. E elas estarão basicamente em todos os lugares: postes de energia, ônibus e placas.

O que me lembra de outra dor de cabeça do 5G. O mmWave é muito fácil de ser bloqueado. Mas quanto? A placa de “Pare” na frente do seu carro? Pronto! Lá foi o seu sinal.

E então há o pequeno problema de conseguir largura de banda suficiente para todas essas femtocells 5G para que você consiga fazer streaming do seu video. Apesar de uma parte disso ser entregue pelas novas femtocells compartilhando umas com as outras, no fim do dia você precisará da fibra. Muita fibra. Implementar fibra de alta velocidade não é algo barato.

Além disso, uma das razões pelas quais as femtocells 5G serão tão pequenas é que os “cérebros” por trás da rede não estarão mais nas redes, mas na nuvem. Na cloud, as redes definidas por software (SDN) e a virtualização de funções de rede (NFV) vão gerenciar o 5G com Network Slicing, que vai criar múltiplas redes virtuais dedicadas de ponta a ponta.

O problema aqui é que existem diversas SNDs e NFVs. A Linux Foundation está trazendo mais sentido à questão, mas ainda é um trabalho em progresso. 

Está começando a entender a situação? Temos todas essas tecnologias, nenhuma delas totalmente madura, e todas vão custar muito dinheiro aos seus fornecedores. 

Sim, o 5G também vai ajudar as empresas de telecomunicações a economizar. Acredite ou não, o custo com ar-condicionado representa uma boa parte dos gastos das redes mobile, e essas femtocells citadas acima são baratas para rodar. E a demanda dos consumidores por banda larga móvel também interminável, então também teremos muito dinheiro entrando.

Agora, se não fossem por todas essas camadas de problemas técnicos e custos de implementação, eu quase poderia acreditar que veremos o 5G muito em breve. E o 5G não é a primeira transformação pela qual vou passar, por isso me sentirei sortudo se tiver 5G na minha cidade natal em 2022.