Google: 'Se a confiança for quebrada, nosso negócio não existe'

CIO / Austrália
17 de maio de 2018 - 13h44
Durante evento CeBIT Australia, diretor da gigante destacou que é preciso existir uma 'troca de utilidade' entre a empresa e os usuários.

O Google está enfatizando a importância da confiança dos consumidores na empresa, com um executivo tendo afirmado nesta semana, durante o evento CeBIT Australia, que o negócio da gigante não existe sem isso.

“Na verdade, é bastante simples. A maneira como pensamos sobre isso é – os dados são um asset (ativo) incrivelmente valioso que os usuários estão dispostos a compartilhar com você. E isso é baseado em confiança, e esse princípio de confiança é fundamental”, afirmou o diretor administrativo do Google Australia, Jason Pellegrino.

O executivo ainda destacou que a companhia de Mountain View não toma isso como algo certo. “Porque no final do dia não temos contrato com nenhum usuário. Se a confiança for quebrada, o nosso negócio não existe. É simples assim.” 

“Então nós pensamos nos dados como um asset incrivelmente valioso que precisa ser protegido como qualquer outra empresa protegeria qualquer outro ativo. E precisa existir uma troca de utilidades. Se essa troca de utilidades não existe, então a confiança é corroída”, explicou Pellegrino durante participação no evento nesta quarta-feira, 16/5. 

O Google é provavelmente a empresa que mais coleta dados dos usuários, recolhendo e armazenando-os sempre que interagimos com o seu enorme pacote de produtos e serviços. 

Em março, o jornalista Dylan Curran publicou uma reportagem no The Guardian afirmando que o Google possuía um total de 5.5GB de dados sobre ele, incluindo histórico do YouTube, uso de apps, todo o histórico de buscas (incluindo o modo incógnito/privado), dados de localização, todos os compromissos/eventos na sua agenda, todos os e-mails que já tinha enviado e todos os arquivos que tinha apagado do Google Drive.  

Pellegrino explicou que os usuários ficam felizes em fornecer os seus dados em troca de produtos e serviços melhores, o que chamou de ‘troca de utilidades’ (‘utility exchange’, no original em inglês). “A troca de utilidades consiste em garantir que todos os usuários tenham transparência e controle total sobre os dados que eles compartilham com você como uma organização. Que você segure esses dados de uma maneira similar com a qual protegeria qualquer outro asset, e os proteja. E que você apenas use os dados para melhorar os produtos de serviços e mecanismos de entrega que você fornece para esses consumidores”, disse o executivo. 

Por exemplo, “em troca do compartilhamento de serviços de localização” os usuários recebem resultados de buscas e mapas mais direcionados que são “fundamentalmente melhores”, apontou Pellegrino. 

O Google recentemente foi obrigado a ajustar a sua postura quanto à coleta de dados para cumprir a nova regulamentação europeia GPDR (General Data Protection Regulation) em todos os serviços que fornece na União Europeia (EU). A empresa se opôs ferozmente contra a nova legislação e está se preparando para lutar contra propostas de leis parecidas nos EUA.

Em meio ao escândalo envolvendo o Facebook e a consultoria Cambridge Analytica. Pellegrino destacou que os usuários possuem uma consciência cada vez maior sobre os seus dados e que as empresas precisam saber disso.

“Precisamos ter consciência de que estamos em um mundo em que – e isso é realmente algo ótimo – os usuários estão ficando mais conscientes sobre os dados que possuem, os dados que estão compartilhando, o valor dos seus dados. E isso é realmente uma coisa muito boa.”