Cambridge Analytica pode ter usado mais testes no Facebook para obter dados

Da Redação
19 de abril de 2018 - 08h54
Teste 'This is Your Digital Life' que abriu acesso aos 87 milhões de perfis não seria o único; Ex-executiva da consultoria confirmou ações da empresa perante autoridades

A consultoria britânica Cambridge Analytica (CA) envolvida no escândalo do uso indevido de milhões de perfis de usuários do Facebook para fins de propaganda política pode ter tido acesso a um número ainda maior de dados. 

Na terça-feira (17), a ex-executiva da CA, Brittany Kaiser, testemunhou perante a Comissão Digital, Cultura, Mídia e Esporte do Parlamento Britânico que a empresa para a qual trabalhava tinha outros quizzes na rede social, incluindo um de nome curioso, algo como "bússola sexual". Entretanto, não deu mais detalhes de como este funcionava, tampouco os outros, mas deixou claro que o aplicativo "This is Your Digital Life", que abriu a brecha para acessar os milhões de perfis, não foi o único que a empresa utilizou para coletar dados do Facebook. 

Brittany também afirma que a Cambridge Analytica não teria sido verdadeira com o Facebook quando disse ter apagado os dados obtidos. Em 2015, quando o Facebook inicialmente descobriu que a consultoria teve acesso a essa base generosa, exigiu que a companhia deletasse o arquivo e, para todos os efeitos, confiou na palavra da CA naquele momento.

"Não conheço as especificidades dessas pesquisas ou como os dados foram adquiridos ou processados. Mas acredito que é quase certo que o número de usuários do Facebook cujas datas foram comprometidas por meio de rotas semelhantes às usadas por Kogan [cientista de dados que criou o app This is Your Digital Life] é muito maior que 87 milhões; e que tanto a Cambridge Analytica quanto outras empresas e campanhas não conectadas estavam envolvidas nessas atividades", escreveu Britanny em seu depoimento.

Britanny diz que nunca lidou diretamente com os modelos de dados da consultoria ou quaisquer conjuntos de dados significativos e que a metodologia utilizada foi aplicada antes de entrar na companhia. Segundo seu testemunho, ela só descobriu sobre os questionários em 2015, em um artigo publicado no The Guardian e que somente soube sobre a dimensão da brecha graças às investigações das últimas semanas.

Vale lembrar que o próprio Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook, declarou que praticamente todas as pessoas que utilizam a rede social devem assumir que seus dados foram comprometidos por vulnerabilidades de aplicativos de terceiros, tendo em vista que somente em 2014 a companhia mudou suas configurações de privacidade para diminuir o acesso de desenvolvedores de apps aos dados de usuários.

Desde que o escândalo estourou, a rede social tem concentrado uma série de esforços para reconquistar a confiança de seus usuários e de autoridades. Zuckerberg passou por uma intensa sabatina diante do Congresso para explicar as práticas da companhia que cofundou em um dormitório de Harvard e atualmente possui mais de 2 bilhões de usuários no mundo inteiro.

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