Netflix aposta em produções originais, mas elas só rendem 20% dos acessos

Da Redação
16/04/2018 - 15h47
De acordo com estudo, conteúdo licenciado é responsável por maior parte do consumo do serviço de streaming

A Netflix vem investindo pesado em conteúdo orginal, tendo anunciado recentemente um orçamento de US$ 8 bilhões para produções com o selo Netflix para este ano. Entretanto, e pelo menos por enquanto, são as produções licenciadas que rendem cifras para os seus investidores. 

Segundo levantamento da 7Park Data, divulgada pela revista Variety, 80% das transmissões da plataforma vieram de programas adquiridos pelo serviço, como "Friends" e "Breaking Bad". Títulos próprios, que incluem aí a febre "Stranger Things" e "House of Cards", foram responsáveis por apenas 20% dos acessos. 

Os números dizem respeito ao mercado norte-americano e às visualizações via desktop. Transmissões via celular e TVs conectadas não foram contabilizadas. Os números refletem também um período de 12 meses, entre setembro de 2016 e 2017.

Há ainda aqueles usuários que não dão sequer atenção aos conteúdos originais, de acordo com a pesquisa que revelou que 42% dos usuários da Netflix nos EUA assistem praticamente apenas as produções compradas - correspondendo a cerca de 95% de seus acessos. Somente 18% dos entrevistados informaram que privilegiam as produções da Netflix, com 40% de suas transmissões dedicadas às produções da casa. 

Outro ponto curioso é que mesmo diante do sucesso e repercussão de séries como "Stranger Things" e "Black Mirror", e com todo o trabalho de divulgação em cima das mesmas, o conteúdo licenciado ainda corresponde a maior parte das transmissões. Nos sete dias após a estreia da primeira temporada de "Stranger Things", diz a 7Park Data, as séries "de fora" ainda correspondiam a 63% da audiência do site. Já na semana seguinte à estreia da 3ª temporada de Black Mirror, cerca de 88% das exibições das séries televisas eram de conteúdo licenciado.

Investimento criativo, mas também estratégico

Mesmo que à primeira vista, o conteúdo original Netflix não pareça ser uma aposta rentável, vale dizer que ao criar conteúdo próprio a companhia do CEO Reed Hastings prevê que, com a crescente concorrência de serviços de streaming, ela terá de se destacar pela qualidade do seu conteúdo original. 

Isso porque estúdios têm sinalizado e, já concretizado, suas intenções em abocanhar essa lucrativa fatia que se criou para o conteúdo on demmand. A Disney, que pretende lançar um serviço de streaming em 2019, já retirou títulos seus do catálogo da Netflix. Outra fusão que deve preocupar a Netflix é a da própria Disney com a Fox. Esta última, inclusive, já anunciou um serviço em seus moldes: o Fox+, que chegou ao Brasil recentemente por uma mensalidade de R$ 34,90.

Investidores da Netflix estão preocupados em crescer a base de assinantes do serviço, pois é daí onde a companhia espera, claro, garantir o lucro. A plataforma deve acrescentar 6,6 milhões de novos assinantes neste primeiro trimestre. Atualmente, conta com uma base de 117 milhões de usuários e espera bater os 200 milhões até o final de 2021.