Blockchain: você ainda vai usar a tecnologia, mesmo sem perceber

Marcelo Succi*
13/04/2018 - 09h46
Soluções em blockchain prometem revolução semelhante a trazida pela Internet; Contratos inteligentes usando a tecnologia levarão a uma nova forma de interação e serviços digitais

A blockchain é uma tecnologia que dá suporte às chamadas criptomoedas, com o Bitcoin como carro chefe, sendo parte essencial na maneira como este dinheiro digital é criado e transacionado. Por suas propriedades, porém, ela desponta com aplicações que ultrapassam em muito este novo mercado.

Em termos simples, a ferramenta é constituída de um mecanismo que envolve um banco de dados distribuído, espalhado em vários computadores, com a característica própria: uma vez inserido um determinado dado, não é mais possível apagá-lo ou modificá-lo. O acesso a essas informações, por sua vez, pode ser público ou restrito a um certo grupo.

O termo “dado”, neste caso, deve ser entendido como algo realmente abrangente: uma transação em moeda digital, uma foto das suas férias, um título de propriedade de um imóvel, um programa de computador, etc. Tudo que pode ser digitalizado é passível de ser inscrito de alguma forma em uma blockchain – ainda que resumidamente, mas indubitavelmente relacionada ao conteúdo original.

Como você se beneficiará do blockchain

As aplicações são inúmeras, desde a comprovação da existência de um documento digital em determinada data, por exemplo, até uma nota de rastreamento de um produto ou carga, passando por um contrato de venda ou um capítulo de um novo livro sendo escrito, registrado como prova de autoria, ou o uso dos chamados smart contracts (“contratos inteligentes”).

Estes “contratos” são armazenados em uma blockchain – sendo, portanto, virtualmente imutáveis, não podendo ser alterados de forma fraudulenta por partes mal intencionadas ou mesmo hackers – e têm as regras de transação e penalidades nele contidas, funcionando como um contrato do mundo analógico.  No entanto, a diferença é que seu cumprimento (enforcement) é automático, não sendo necessário um terceiro que centralize as operações e/ou obrigue as partes envolvidas a realizarem as transações como previamente acertado. O “combinado” é sempre cumprido, e tais contratos terão muitas aplicações.

Por exemplo, um músico poderá vender e receber pela execução de suas composições sem necessidade de um intermediário como uma gravadora ou um site ou aplicativo com catálogo de músicas. Em outro tipo de uso, na IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas),  dispositivos conectados diretamente à Internet poderão ter uma relativa autonomia usando estes contratos. Carros autônomos – eles estão chegando! - poderão apanhar um passageiro para uma viagem e debitar da conta do passageiro o valor da corrida, creditando em sua própria conta de moeda digital.

Quando seus sensores indicarem que o combustível está acabando, podem abastecer e pagar com o saldo da conta do veículo o valor do combustível – gasolina, eletricidade, etc. – diretamente ao posto de abastecimento, tudo usando os smart contracts, sem intervenção humana.

Mesmo sendo implementadas de forma transparente para o usuário – hoje, ninguém precisa entender de um protocolo TCP/IP para dar um like no Facebook - estas novas tecnologias prometem revolucionar o universo digital da mesma maneira que a Internet fez há aproximadamente vinte anos atrás. Por esta razão, esteja preparado!

*Marcelo Succi é professor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)