YouTube é acusado de coletar dados de crianças para fins publicitários

Da Redação
10 de abril de 2018 - 12h27
Associações nos EUA encaminharam denúncia onde alegam que companhia coleta informações de menores sem avisar previamente seus pais e pedem por investigação

Um novo capítulo sobre privacidade de dados se abriu em outra gigante de tecnologia. Desta vez, quem pode ser investigado é o Google. Associações americanas, 23 no total, que defendem os direitos digitais e de proteção da infância, alegam que o YouTube (que é de propriedade do Google) tem coletado dados pessoais de crianças e os utiliza com fins publicitários. Uma denúncia formal foi  encaminhada à Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês). As associações pedem para que o FTC investigue as práticas do YouTube. 

Segundo a denúncia, o YouTube tem coletado informações como localização, aparelhos usados para conexão e números de telefones celulares, sem informar previamente aos pais dos usuários menores de idade. O Google informa que o YouTube não deve ser usado por menores de 13 anos de idade, inclusive, impedindo o cadastro dos mesmos. Entretanto, na prática, sabe-se que muitos novos usuários mentem a idade na hora de criar seus perfis ou ainda assistem a vídeos sem efetuar o login.

A resposta do Google para esse tipo de comportamento veio com o lançamento do aplicativo YouTube Kids, que chegou ao Brasil em 2016. Por  meio dele, pais conseguem gerenciar o acesso dos filhos ao app, que é protegido por senha.

Mas os esforços da companhia não são suficientes para as associações. Em comunicado, Josh Golin, da "Campanha por uma Infância sem Publicidade", uma das organizações denunciantes, ressalta o caráter atrativo do YouTube para crianças e a responsabilidade do Google por ser um canal muito acessado por elas.

"Há anos, o Google abandonou suas responsabilidades a respeito das crianças e suas famílias, afirmando de maneira enganosa que o YouTube, um site inundado de desenhos animados, canções infantis e publicidade de brinquedos, não está habilitado aos menores de 13 anos", afirmou Golin. 

O Google, por meio de comunicado à imprensa, disse que a empresa ainda não teve acesso à denúncia, mas que "proteger as crianças e suas famílias é uma prioridade" do grupo e ressalta que o YouTube Kids foi criado para ser uma "alternativa especialmente destinada às crianças".