Zuckerberg pede desculpas por Cambridge Analytica e anuncia pente fino

Da redação *
21/03/2018 - 18h32
CEO do Facebook diz que confiança dos usuários "foi quebrada". E anuncia investigação de todos os apps em atividade na rede social hoje

Após quase cinco dias de silêncio depois que o escândalo do uso indevido de dados de 50 milhões de usuários do Facebook pela consultoria política Cambridge Analytica estourou, o fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, finalmente veio a público se explicar. 

Em um post publicado em sua página oficial do Facebook, Zuckerberg faz uma recapitulação dos fatos em torno da Cambridge Analytica, diz que a empresa está trabalhando para averiguar e entender o que aconteceu, confirma que a companhia está em conversa com órgãos regulatórios e admite que a confiança entre a rede social e seus usuários "foi quebrada". 

"Isso [o escândalo] foi uma quebra de confiança entre [Aleksandr] Kogan, Cambridge Analytica e Facebook. Mas também foi uma quebra de confiança entre o Facebook e as pessoas que compartilham seus dados conosco e que esperam que nós os protejamos. Precisamos corrigir isso". "Temos a responsabilidade de proteger seus dados, e se não conseguimos, então não merecemos servir vocês", escreve Zuckerberg.

Medidas duras

No post, o CEO anuncia algumas das novas medidas tomadas e promete que mais virão em breve:

1- Investigar todos os apps que, no passado, tenham tido acesso a grandes volumes de informações antes da mudança da regra do uso de dados implementada em 2014, e fazer uma auditoria completa em qualquer app de atividade suspeita. Os desenvolvedores que não concordarem com a auditoria serão banidos da plataforma, garante Zuckerberg. E aqueles que for provado estiverem fazendo mau uso de dados pessoais identificáveis serão banidos e os usuários afetados informados. Isso, segundo Zuckerberg, vai incluir pessoas afetadas pelo uso do app de Kogan.

2- Restringir ainda mais o acesso dos desenvolvedores a dados pessoais para, segundo Zuckerberg, prevenir outros tipos de abuso. Por exemplo, remover o acesso dos desenvolvedores aos dados de usuário se o usuário nao tiver acessado o app nos últimos 3 meses. E daqui para frente permitir que um app possa receber apenas nome, foto do perfil e endereço de email do usuário. Uma medida complicada: exigir que os desenvolvedores não só obtenham a aprovação do acesso aos dados mas também que tenham de ter um contrato assinado quanto quiserem ter acesso aos posts e outros dados privados de alguém. 

3- Nos próximos meses, o Facebook apresentará no topo do News Feed dos usuários uma ferramenta que mostra os apps que ele usou e com um recurso fácil para revogar o acesso aos dados para esses apps. O recurso existe dentro da área de controle de privacidade, mas agora a empresa quer mantê-la na frente dos usuários o tempo todo.

Cambridge Analytica

Sobre o escândalo, que custou ao Facebook até agora a perda de US$ 52 bilhões de dólares em valor de mercado, Zuckerberg afirma que está trabalhando para entender o que aconteceu e para ter certeza de que não vai acontecer de novo. E insiste que a empresa já teria tomado as medidas para evitar esse problema em 2014. "As medidas mais importantes para evitar que isso aconteça de novo hoje já foram tomadas anos atrás. Mas nós também erramos, há mais para fazer e nós precisamos nos mexer e fazer". 

Zuckerberg garante que o Facebook baniu o app do pesquisador Aleksandr Kogan em 2015 ao ser alertado de que ele teria compartilhado os dados com a consultoria. E que teria recebido a confirmação de ambos de que os dados tinham sido apagados dos servidores. "Na semana passada, com as reportagens do The Guardian, The New York Times e Channel 4 denunciando que a Cambridge Analytica poderia não ter apagado os dados como tinham dito, nós imediatamente banimos ambos de usarem nossos serviços", escreve Zuckerberg.

Segundo o fundador do Facebook, uma firma de auditoria forense foi contratada e vai analisar os servidores da Cambridge Analytica, que concordou com a auditoria.

"Eu criei o Facebook e, no final do dia, eu sou o responsável pelo que acontece na nossa plataforma. Estou seriamente comprometido em fazer o que for necessário para proteger a nossa comunidade. Embora esse problema específico envolvendo a Cambridge Analytica não deveria nunca mais acontecer com os apps de hoje, isso não muda o que aconteceu no passado. Vamos aprender com essa experiência a proteger nossa plataforma ainda mais e fazer nossa comunidade mais segura daqui para frente", escreve um contrito Zuckerberg. 

* Colaborou Silvia Bassi, especial para o IDGNow!