YouTube quer combater fake news com informações extraídas da Wikipedia

Da Redação
15/03/2018 - 15h53
Companhia anunciou estratégia que visa contextualizar vídeos que propagam teorias da conspiração; Entretanto, Wikipedia informou que não foi contatada pelo Google sobre iniciativa

Em seus esforços para combater as chamadas fake news e teorias da conspiração compartilhadas no YouTube, a companhia informou que começará a exibir textos de artigos da Wikipedia e de outros sites ao lado de alguns vídeos. 

A estratégia deve iniciar nas próximas semanas, informou Susan Wojcicki, presidente-executiva do YouTube, em conferência realizada durante o South by Southwest (SXSW) em Austin, Texas. 

Segundo Susan, o novo recurso se chamaria "sugestões de informação" e as mesmas seriam lançadas, inicialmente, para tópicos que possuem um número significativo de vídeos no YouTube, como vídeos que questionam a ciência e descrevem conspirações sobre eventos históricos, como a ida do homem à Lua. Nesses casos, a plataforma apresentaria um ponto de vista baseado em artigos, clicando em informações adicionais. 

O Google ainda não deu mais detalhes de como o recurso se dará na prática e em quais mercados ele chegaria. Mas depois do anúncio de Susan, o Wikimedia Foundation, organização por trás da Wikipedia, se adiantou para informar que não sabia de uma possível parceria entre YouTube e a enciclopédia digital. 

"Nós sempre ficamos felizes em ver pessoas, empresas e organizações reconhecer o valor da Wikipedia como armazenadora de conhecimento gratuito. Nesse caso, nem a Wikipedia nem a Wikimedia Foundation são parte de uma aliança formal com o YouTube. Nós não fomos notificados quanto a esse anúncio", declarou a organização em nota publicada no Twitter.

Em teoria, o Google ou YouTube não precisam de autorização ou mesmo uma parceria formal com a Wikipedia para utilizar de seus artigos, tendo em vista que eles são de livre acesso e reprodução. 

Mas o desconforto causado por uma falta de comunicação foi percebido. Ainda mais quando a Wikimedia lembrou, na mesma nota, que o site somente permanece no ar graças às doações de cerca de seis milhões de usuários da plataforma.