Stephen Hawking temia o avanço da IA e lutou para alertar sobre suas consequências

Da Redação
14/03/2018 - 13h25
Nos últimos anos, físico vinha divulgando os perigos atrelados à tecnologia desenvolvida sem parâmetros éticos: armas autônomas, desigualdade social e o fim da raça humana

O físico britânico Stephen Hawking, que faleceu nesta quarta-feira aos 76 anos, nunca escondeu sua preocupação em relação aos avanços da inteligência artificial. Em uma série de entrevistas e palestras, o cientista alertava sobre o desenvolvimento inconsequente da tecnologia e que "uma rede completa de inteligência artificial poderá resultar no fim da raça humana".

Segundo especialistas, os avanços proporcionados pela computação cognitiva nos levarão a um novo patamar de interação com tudo o que fazemos no dia a dia. A revolução que nos precede será ainda mais disruptiva quando comparada a revolução da internet nos anos 2000 e trará uma nova geração de inovações como carros autônomos, robôs e sistemas que aprendem sozinhos. 

Em 2015, o físico, ao lado de outros pesquisadores e empresários, incluindo o fundador da SpaceX, Elon Musk, assinaram carta aberta onde pediam aos governos maior cautela acerca da tecnologia. 

Desigualdade social
Além de ser responsável pela geração de armas autônomas, para Hawking a inteligência artificial pode levar ao aumento da disparidade social tendo em vista o iminente desemprego proporcionado pela automação. 

A sofisticação da tecnologia nos ajudará a resolver uma série de problemas e, claro, gerará empregos. Entretanto, um dos efeitos colaterais estaria no aumento da diferença entre pobres e ricos, uma vez que pessoas com mais recursos estariam mais preparadas para se adaptarem a um novo cenário onde robôs assumem boa parte de nossas funções e, eventualmente, se tornem mais atraentes para empresas e grandes companhias "contratá-los".

“Eu acredito que não há uma diferença entre o que pode ser alcançado por um cérebro biológico e o que pode ser feito por um computador. Daí resulta que os computadores podem, em teoria, emular a inteligência humana - e ultrapassá-la”, disse Hawking durante a inauguração, em 2016, do Centro para o Futuro da Inteligência em Cambridge, Reino Unido. O instituto tem como missão refletir sobre a tecnologia, suas aventuras e desventuras.

Hawkings não descartava as perspectivas positivas que a tecnologia pode nos oferecer. Para ele, há potencial de erradicar doenças e a pobreza. “Em resumo, a ascensão de uma poderosa inteligência artificial será o melhor ou o pior a acontecer a humanidade. Nós ainda não sabemos o que será”, declarou, na ocasião.

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Uma possível solução
Para o cientista, uma provável solução para identificar rapidamente ameaças e agir “antes que as coisas fiquem fora do controle” estaria numa espécie de governo mundial. 

Ele, entretanto, reconheceu que a mesma abordagem poderia resultar em tirania: “este panorama pode parecer um pouco carregado de desgraças, mas eu sou um otimista. Acho que a humanidade estará pronta para enfrentar estes desafios”, declarou em entrevista ao The Times, de Londres. Para Hawking, a tecnologia precisa ser refletida e desenvolvida sempre do ponto de vista humano, logo, ético. 

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Vida em outros planetas
O físico também era um grande entusiasta da busca pela vida em outros planetas. Em 2015, apoiou a iniciativa do investidor russo Yuri Milner no lançamento do programa "Breakthrough Listen", que concentra esforços em desenvolver tecnologias na busca por vida alienígena.

A exploração interplanetária era também vista por Hawking como a única saída para a manutenção da civilização humana. Ao participar do Starmus Festival, que aconteceu na Noruega no ano passado, o cientistas disse estar convencido de que humanos precisam deixar a Terra.

"Estamos ficando sem espaço e os únicos lugares a serem encontrados são outros mundos. É hora de explorar outros sistemas solares. Espalhar-nos pode ser a única forma de nos salvar de nós mesmos", disse.

Hawking não negava a importância de combater as mudanças climáticas e outros problemas crescentes na Terra, mas a necessidade de colonizar outros planetas indicava para ele que, talvez, não possamos mais salvar este que habitamos.

De acordo com o cientista, "se a humanidade continuar por mais um milhão de anos, nosso futuro reside em, corajosamente, ir onde ninguém mais foi antes."