Brasil é suspenso do Observatório internacional de astronomia ESO

Da Redação
14/03/2018 - 10h38
Suspensão se dá devido a demora do País em confirmar entrada no consórcio internacional que detém alguns dos telescópios mais avançados do mundo

Brasil foi suspenso de um dos maiores consórcios internacionais dedicados à pesquisa em astronomia, o Observatório Europeu do Sul (ESO, sigla em inglês). A decisão da entidade foi aprovada em conselho e divulgada na última segunda-feira (12). 

Segundo o consórcio, a suspensão se dá devido a demora do País em confirmar - efetivamente - sua entrada no grupo. Para a confirmação definitiva, o Brasil precisaria desembolsar um pagamento na ordem de 270 milhões de euros (mais de R$ 1 bilhão com o câmbio atual). Esse valor seria parcelado em 10 anos. 

Um primeiro acordo entre o ESO e o Brasil já havia sido assinado em 2011. E, em 2015, o projeto havia sido aprovado pela Câmara e pelo Senado. Entretanto, com a crise econômica e política que atingiu o país, o projeto ficou de lado e aguardava sanção do presidente Michel Temer.

Em nota, o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou que "defende a participação do Brasil no Observatório Europeu do Sul e que faz gestões junto ao Governo Federal pela confirmação da adesão a esta entidade multilateral." 

O que acontece agora

Ao ser suspenso do consórcio, os cientistas brasileiros ainda poderão concorrer para a usar os telescópios do ESO, no entanto eles passarão por um crivo maior e terão mais dificuldade para participar de projetos com o observatório. Antes da suspensão, apesar de não fazer parte do conselho diretivo, o Brasil tinha liberdade para acessar as instalações do ESO.

No total, 14 países integram o consórcio que reúne alguns dos telescópios mais avançados do mundo e há 50 anos opera no Chile. Uma das principais instalações do observatório é o Very Large Telescope, tido como o instrumento óptico mais avançado do mundo. 

Em comunicado, o ESO diz informou que os projetos de astrônomos brasileiros em andamento ficam inalterados e que uma renegociação da volta do Brasil será bem-vinda. 

"O Conselho do ESO reitera que o Brasil continua a ser um valioso parceiro potencial do ESO e deseja acolher o Brasil como Estado Membro no futuro", finaliza a nota.