Internet das coisas pode ser explorada por hackers para minerar criptomoedas

Da Redação
01/03/2018 - 10h36
Segundo pesquisa da Avast, seria necessário mais de 15 mil dispositivos para minerar US$ 1 mil em moedas de Monero ao longo dos quatro dias

Cibercriminosos podem usar vulnerabilidades de dispositivos de internet das coisas (IoT) para construir um exército para mineração de criptomoedas. É o que alerta a Avast, que, por meio de uma pesquisa, mostra que seria necessário um exército de mais de 15,8 mil dispositivos para minerar US$ 1 mil em moedas de Monero, ao longo dos quatro dias.

A empresa explica que os smartphones e dispositivos IoT, como Smart TVs ou webcams, frequentemente têm um poder muito baixo de computação, o que é ruim para a mineração. Por isso, cibercriminosos estão buscando atacar dispositivos em massa com o objetivo de maximizar o lucro. Em geral, a mineração em dispositivos IoT permanece imperceptível para o consumidor, o qual não nota quando o dispositivo aquece ou reduz o desempenho, ao contrário de um PC.

Gagan Singh, vice-presidente sênior e gerente geral para Mobile da Avast, diz que, até pouco tempo atrás, os cibercriminosos estavam focados na propagação de malwares para transformar PCs em máquinas de mineração de criptomoedas, mas agora também há um número maior de ataques mirando os dispositivos de IoT e smartphones.

"De acordo com os dados atuais da Shodan.io, uma pesquisa sobre coisas conectadas à internet apontou que mais de 58 mil dispositivos inteligentes em Barcelona estão vulneráveis. Se cada um desses dispositivos fosse recrutado por uma botnet para minerar Monero no Mobile World Congress, os cibercriminosos poderiam ganhar o equivalente a US$ 3.600 ou € 3.000. Os custos envolvidos na mineração são tão altos, que o lucro de criptomoedas é muito pequeno", afirma o executivo, citando o Mobile World Congress e a cidade de Barcelona como exemplo.

Isso porque a Avast está realizando em seu estande um experimento de mineração de criptomoedas de Monero em uma Smart TV para aumentar a conscientização sobre o uso das vulnerabilidades dos dispositivos móveis e de IoT (Internet das Coisas).

Mirai

O complexo ecossistema de dispositivos de IoT em residências e locais públicos cria novas oportunidades para que os cibercriminosos comprometam a segurança e a privacidade das pessoas. Em 2017, surgiu a primeira botnet de IoT, uma nova versão da botnet Mirai, para minerar criptomoedas. Desde então, o risco dos cibercriminosos obterem o controle dos dispositivos IoT para lucrar com a mineração de criptomoedas aumentou. Para o usuário, isso pode gerar altas contas de energia, baixo desempenho e uma vida útil menor do dispositivo.