Especial: o que é, como funciona e quais as vantagens do Blockchain

Sean Bradley, TechAdvisor / Reino Unido
08 de fevereiro de 2018 - 16h04
Mais conhecida por ser usada no Bitcoin, tecnologia possui um potencial enorme e que vai muito além das criptomoedas.

Blockchain tornou-se uma das palavras mais comentadas do mercado nos últimos meses e esse barulho em torno dela deve apenas aumentar, à medida que mais e mais empresas anunciam planos que envolvem a tecnologia.

Para quem não tem familiaridade com o tema, pode ser um assunto um tanto complicado, já que é razoavelmente técnico, mas o conceito central é bastante simples na verdade.

O que é o Blockchain?

O objetivo e o alcance do Blockchain foram descritos lindamente pelo engenheiro de software Marc Andreessen. “A consequência prática (...é...) pela primeira vez, uma maneira para um usuário na Internet enviar um pedaço único de propriedade digital para outro usuário na Internet, a ponto de que a transferência é garantida como segura e protegida, todos sabem que a transferência foi realizada, e ninguém pode questionar a legitimidade da transferência. É difícil exagerar as consequências desse avanço.” 

Resumindo: o Blockchain permite que duas pessoas negociem propriedades digitais sem nenhum risco de fraude, roubo, interferência de terceiros ou a necessidade de um intermediário.

Com frequência, você verá o Blockchain e as criptomoedas serem usados nas mesmas frases e/ou textos. E isso acontece porque uma boa parte das criptomoedas usa a rede do Blockchain para rastrear a movimentação das suas moedas.

Como o Blockchain funciona

O método mais usado atualmente para armazenar informações é manter uma base de dados central protegida. Por exemplo, você sabe exatamente quanto dinheiro há na sua conta neste momento? A maioria de nós teria de abrir o aplicativo do banco no celular para verificar, e então o banco nos dirá qual o saldo da conta.

Estamos confiando no banco e na sua base de dados. Existem vários saldos e verificações possíveis para garantir que o banco não comece a mentir para nós, mas o fato continua sendo que o banco possui as informações e nós confiamos no que ele nos diz.

A tecnologia Blockchain funciona a partir de um princípio totalmente diferente.

Por exemplo, vamos dizer que eu gostaria de enviar 100 dólares para um amigo via Blockchain. Quando a transação é feita, as informações sobre ela (data/horário, quantidade, depositante, destinatário, etc) são enviadas para centenas de nós diferentes que possuem uma cópia da base de dados central. Cada nó atualiza a sua base de dados com as informações da transação independentemente dos outros, e então comunica a todos os outros nós para comparar as atualizações recebidas. A versão mais popular do update torna-se então o registro oficial que é suportado pela maioria dos nós. 

Se eu tentar negar o fato de ter enviado os 100 dólares para esse amigo, a grande maioria dos nós vai discordar da minha história, e a minha versão do acontecido será ignorada.

Como as transações são atualizadas e protegidas?

Você provavelmente já ouviu falar sobre mineração de criptomoedas, e essa é uma parte integral do ecossistema do Blockchain. 

Antes das transações serem confirmadas, elas são gravadas em “blocos”, que são lotes de dados prontos para serem inseridos no Blockchain. Essa informação é criptografada por uma rede de computadores pelo mundo, e então inserida no Blockchain, onde as informações dentro do bloco são verificadas para fins de autenticidade. 

Resumindo: o Blockchain é um registro permanente e imutável de todas as transações feitas neste ecossistema em particular.

Os recursos para a criptografia dos dados vem dos mineradores de criptomoedas. Eles usam seus computadores, energia e tempo para resolver problemas matemáticos extremamente complicados que adicionam uma camada de criptografia sobre os registros das transações. Os mineradores então são recompensados com uma quantidade de criptomoedas, ou tokens, pelos seus esforços. 

O sistema todo funciona a partir do princípio da descentralização, uma vez que não há um ponto central para as informações. Elas são transmitidas, armazenadas, verificadas e criptografadas por um conjunto de nós pelo mundo, o que significa que nenhuma pessoa possui as chaves. Todo mundo mantém todo mundo honesto, e o conceito de “confiar” em alguém ou algo com os seus ativos não é mais necessário.

Mas antes de todos começarem a levantar bandeiras e falar sobre a revolução, é importante notar que essa tecnologia ainda tem um bom caminho a ser percorrido antes de virar algo para uso em massa – no entanto, esse momento pode estar mais próximo do que você imagina. 

Diversos projetos de Blockchain que atuam como plataformas, como Ethereum, Neo e Vechain, estão formando parcerias com governos e empresas pelo mundo para auxiliá-los em uma grande variedade de áreas, que inclui desde recuperação de sistemas e logística de cadeia de suprimentos até tecnologia anti-pirataria.

O Blockchain será o “next big thing”? Ninguém sabe com certeza, mas certamente a tecnologia está começando a ter efeitos cada vez maiores pelo mercado.