Alguns cuidados para você não ser uma vítima de cibercrimes no Carnaval

Rafael Maciel e Henryque Luna*
09 de fevereiro de 2018 - 09h00
O envio de ‘nudes’ pode trazer prejuízos para o resto da vida; saiba o que fazer para se proteger

Carnaval é época de folia, mas é preciso ter cuidado para que o período de festa não se transforme em um pesadelo prolongado. Para isso é necessário pensar duas vezes antes de enviar os famosos ‘nudes’ (fotos e vídeos íntimos) para outra pessoa e gerar o risco de que esse conteúdo seja compartilhado na Internet e o indivíduo exposto se torne vítima de um crime.

A divulgação de material com teor sexual sem o consentimento do dono pode ser interpretada pela Justiça como difamação ou injúria e, nos casos em que há a invasão do dispositivo para obtenção desse tipo de conteúdo, a Lei 12.737/2012 “Carolina Dieckmann” prevê pena de 3 meses a 1 ano de prisão. Além das consequências criminais, o autor do fato também pode ser responsabilizado a indenizar a vítima. No entanto, a punição ao responsável pelo vazamento não minimiza os danos à vida de quem tem a sua intimidade indevidamente propagada na web.

Afinal, uma vez que essas imagens ou vídeos circulam no ambiente virtual, dificilmente podem ser apagados e, apesar de óbvia, a recomendação mais adequada para evitar o problema é a conscientização de não produzir qualquer conteúdo relacionado a nudez ou momentos íntimos, pois ele pode cair nas mãos de hackers, se tornar objeto de vingança até mesmo por parte de alguém com quem se tenha uma relação de confiança ou ser enviado por engano.

O descuido com arquivos que contêm informações sensíveis pode causar prejuízos irreparáveis, inclusive psicológicos, o que reforça a necessidade de preservação da privacidade na Internet, diminuindo as chances de envolvimento em um crime virtual. Entenda como é possível se proteger.

Mantenha a segurança dos dispositivos

É necessário criar senhas fortes para o celular, PC e contas de e-mail, redes sociais e aplicativos, evitando o uso de datas de aniversário, nome próprio, de familiares e outras informações de fácil acesso por terceiros. É aconselhável usar uma mistura de letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais, sempre que possível. Essas senhas não devem ser compartilhadas com outra pessoa. Também é importante manter atualizados todos os aplicativos instalados em dispositivos digitais.

Tenha cuidado ao se conectar em redes Wi-Fi públicas

A conexão à rede sem fio pública de bares, restaurantes e outros estabelecimentos oferece riscos, pois informações sensíveis enviadas por meio dessa rede podem ser acessadas e reproduzidas. Portanto, ao usuário que não conta com uma solução de criptografia é preferível não utilizar o Wi-Fi aberto, mas caso esse uso seja inevitável é prudente manter bons antivírus e antispyware instalados e atualizados no celular ou PC, utilizar somente conexões HTTPS e SSL, habilitar o firewall e contar com os sistemas de verificação em duas etapas disponíveis nas aplicações.

Não armazene conteúdos íntimos no e-mail ou na nuvem

Dependendo do serviço contratado pode haver maior risco de vazamento. Assim, salvar arquivos privados, principalmente conteúdos íntimos, nesses espaços não é uma boa opção.

*Rafael Maciel é advogado especialista em Direito Digital e presidente do Instituto Goiano de Direito Digital (IGDD). Henryque Resende Luna é diretor de Inovação e Startups do Instituto Goiano de Direito Digital (IGDD)