Como a mudança de era nos torna inúteis e como nos preparar para ela

Por Francesco Farruggia*
24/01/2018 - 09h33
O sujeito econômico que não considere a Inteligência Artificial, Big Data, Blockchain, Realidade Virtual e Aumentada, estará fora da nova economia

A evolução da humanidade passou por diferentes eras. Começamos nômades/caçadores, depois passamos a ser sedentários/agricultores e, nos últimos 250 anos nos convertemos em urbanos/industriais. Atualmente, estamos vivenciando uma mudança de era, e não uma era de mudanças e, tudo isso por conta do digital.

Sendo assim, cada mudança de era faz com que as atitudes das pessoas da era anterior virem inúteis no novo paradigma. Um bom caçador não virou o melhor agricultor, mas este último não se converteu em um bom sujeito industrial. Não será diferente agora: os destacados na economia industrial não serão os protagonistas da era digital.

Todos os paradigmas da economia (e da sociedade) industrial não valem mais, ou seja, uma criança que nasce hoje não fará nenhum trabalho dos que hoje existem. A tecnologia dominará todas as áreas de conhecimento e quem não tem uma base STEM (science, technology, engineering and mathematics) não terá a linguagem necessária para converter o seu conhecimento em valor para o mercado. É a primeira vez na história da humanidade que os filhos e netos ensinam os pais e avós. 

Temos um sistema de ensino com mais de 1.200 anos, baseado na transferência de conhecimento dos adultos para os jovens. Contudo, o sistema de ensino precisa levar em consideração o domínio da tecnologia por parte dos jovens, além de abandonar a transferência de conhecimento de cima para baixo, tornando-se horizontal e bilateral. A atual academia não tem as respostas aos novos desafios, nem a humildade de fazer as perguntas.

A inovação é uma passagem, por exemplo, quando uma rede de hotéis inovava tinha o foco na promoção de seus serviços a fim de competir com outra cadeia hoteleira. Nesta competição chegou a Airbnb, que não detém prédios, recepcionistas, camareiras. É um novo modelo de negócio. Não é uma inovação, é uma disrupção. Não é evolução, é revolução.

Seja como for, a revolução tecnológica de hoje precisa ser compreendida de uma maneira completamente distinta da revolução industrial. Primeiramente, porque o ritmo de mudança é exponencialmente mais rápido e muito mais abrangente; tampouco importa se você é um trabalhador fabril, um consultor financeiro ou um jogador de futebol: a automação vai, de alguma forma, impactar a sua vida.

Contudo, ao absorver os aspectos mais mecânicos e rotineiros de nossos empregos atuais, as máquinas também estarão nos liberando para atividades mais criativas. Teremos como jamais tivemos tempo e, sobretudo, estímulo para sermos altamente criativos, estratégicos e impactantes. A bem da verdade, já estamos experimentamos um pouco disso com o movimento Maker e a cultura do Do-It-Yourself.

O sujeito econômico que não considere a Inteligência Artificial, Big Data, Blockchain, Realidade Virtual e Aumentada, estará fora da nova economia. E os brasileiros têm algumas vantagens na era digital: tem espírito empreendedor; são mais criativos porque nunca estão em zona de conforto como os operadores dos países desenvolvidos; os que detém o poder da era industrial, são menos poderosos do que em economias desenvolvidas e farão menor resistência à mudança.

A revolução digital já está acontecendo e não vai ter surpresas, vai ter surpreendidos.

*Francesco Farruggia é Presidente do Instituto Campus Party