Quatro golpes cada vez mais comuns no Instagram

Bruno Homem *
11 de janeiro de 2018 - 12h09
A rede social se tornou uma das plataformas preferidas de golpistas e fraudadores. Veja como mantê-los longe

Uma das redes sociais com maior engajamento do mundo, o Instagram, superou a marca de 800 milhões de usuários ativos por mês em 2017. Com números tão expressivos, é natural que empresas enxerguem o potencial de mercado da plataforma e a a usem para anúncios publicitários, posts pagos por influenciadores, reviews e análises de produtos, de forma a promover as vendas. Todos os dias, os usuários de Instagram são bombardeados pela divulgação de produtos e informações.

Os complexos algoritmos por trás da interface amigável e limpa do Instagram são responsáveis pela seleção, agrupamento e entrega de propaganda dos mais variados produtos e empresas aos respectivos públicos de interesse. No entanto, da mesma forma que empresas e usuários se beneficiam com as facilidades trazidas por essas tecnologias, fraudadores e criminosos também se aproveitam delas para anunciar produtos falsos, aplicar golpes financeiros e roubar dados sensíveis de usuários desavisados utilizando técnicas de engenharia social.

Com foco na proteção do usuário final e das marcas afetadas por esses golpes, listamos alguns dos artifícios mais comuns usados para aplicar golpes na rede social e que podem causar muita dor de cabeça aos usuários em 2018:

- Venda não autorizada e de produtos piratas
O Instagram se tornou tão popular que agora representa uma ótima ferramenta para a venda de produtos. Porém, permeando as vendas legítimas, existem criminosos se aproveitando da distração dos usuários e usando a rede social para vender produtos piratas ou que simplesmente não existem. Listamos algumas das táticas mais usadas por estas páginas falsas:

1. Testemunhos falsos
Muitos perfis falsos se passam por lojas físicas multimarcas ou revendedores de produtos e costumam forjar a credibilidade com postagens de imagens de conversas e supostos testemunhos de clientes que teriam recebido produtos, avaliando tanto a compra quanto o produto em si.

Estes perfis falsos fazem o possível para convencer os seguidores de que os produtos serão realmente entregues e de que se tratam de produtos originais. Se você não tem certeza de que o determinado perfil é revendedor autorizado da marca, é importante analisar os sinais e padrões de escrita nesses testemunhos, ficando atento aos perfis que aparentam preocupação exagerada em demonstrar o quanto são honestos.

2. Depósito Bancário
Perfis maliciosos geralmente usam com mais frequência métodos de pagamento diretos, como a transferência bancária ou o uso de boleto. Além disso, também há casos em que a loja virtual chega a solicitar informações de cartão de crédito para concretizar a venda. Visando a segurança dos usuários e a credibilidade da empresa responsável por estes produtos, aconselha-se que pagamentos sejam realizados apenas por intermédio de plataformas que possam devolver o dinheiro em casos de extravio, perda, produto não entregue ou, até mesmo, quando acontece o famoso

“golpe do tijolo”. Existem muitas empresas especializadas em intermediação de pagamentos online que são opções viáveis e seguras.

3. Venda de produtos abaixo do preço de mercado
Um dos principais indicativos de que uma loja pode ser fraudulenta, ou de que o produto oferecido é pirata, é o preço. Atente-se a perfis que oferecem produtos com um preço muito abaixo da média de mercado. Para validar estas informações, utilize ferramentas como o Buscapé e o Zoom, e confira os preços das principais lojas virtuais que vendem determinado artigo. Todo produto tem uma margem mínima para os preços, e os descontos praticados geralmente não passam de 40% a 50% do preço de mercado para que continuem viáveis comercialmente.

- Estelionato
Os golpes praticados no Instagram não estão apenas ligados a compra de bens de consumo tangíveis, mas também há uma tendência em crescimento de perfis que oferecem dinheiro fácil na rede social.

Páginas de agências financeiras e seguradoras fraudulentas solicitam dados por meio de mensagens privada no Instagram e em outros aplicativos, oferecendo empréstimos a juros irrisórios. Com esses dados, os fraudadores aplicam golpes em financeiras e em seguradoras reais. Em outros casos, perfis falsos que oferecem empréstimos costumam solicitar o depósito de uma taxa, justificado como uma “taxa de adesão”, cujo pagamento é necessário para a liberação do valor contratado.

Em caso de dúvidas sobre uma oferta de serviço financeiro, é importante verificar e validar o CNPJ que consta no perfil do Instagram ou no website da empresa.

- Anúncios patrocinados
O Instagram e outras redes sociais são mantidos com base no investimento em publicidade de marcas interessadas em alcançar o público-alvo, o que também é um prato cheio para os fraudadores. Por mais que haja constantes inovações na identificação, prevenção e remoção de fraudes e anúncios falsos, golpistas sempre encontram formas novas de receber pagamentos e patrocinar anúncios para que as fraudes sejam extensivamente divulgadas. Não é porque um anúncio é patrocinado que os cuidados com a verificação da veracidade das informações devem ser dispensados. Criminosos também investem em publicidade.

E se os produtos forem oferecidos de graça? Em 2017, um novo tipo de fraude ganhou popularidade, afetando muitas marcas e usuários. A fraude conhecida como “Brindes Grátis”, que tem como alvo marcas famosas, consiste na divulgação de um perfil novo, inclusive com anúncios patrocinados, em que se oferece para os primeiros seguidores um produto totalmente grátis. Para recebê-lo, o usuário é convencido a informar dados de pagamento para a cobrança do envio da mercadoria.

Muitas vezes, por mais que o produto seja gratuito e a taxa de envio seja irrisória, o objetivo da fraude é justamente coletar os dados de pagamento e as credenciais de acesso dos usuários, seja do próprio Instagram ou de outros websites, que podem ser utilizados para fraudes posteriores.

- Account Flipping ou venda de contas
Há ainda um tipo de fraude bem comum que consiste em páginas feitas para se passar por uma marca, oferecendo produtos ou dinheiro aos seguidores que realizarem determinados passos, como postar um print da página no perfil pessoal no Instagram ou apenas seguir a página e marcar amigos na postagem.

Apesar de não requisitar dados sensíveis como cartão de crédito ou vender produtos falsos aos seguidores, páginas como essa são tão danosas aos usuários quanto as demais. Uma vez que um número expressivo de seguidores é alcançado por essas páginas, o valor estimado aumenta e elas são vendidas na Dark Web para que fraudadores possam fazer campanhas de phishing e roubar dados dos usuários.

Mas por que essa fraude específica se tornou tão comum e popular entre os fraudadores? A resposta é resultado da própria estrutura do Instagram. Uma vez que o criminoso cria a conta falsa e escolhe a marca a ser afetada, ele entra na lista de seguidores das páginas e começa a seguir os usuários que seguem a marca oficial. Desta forma, as pessoas recebem uma notificação de novo seguidor e muitas delas seguem a página falsa de volta, passando a receber conteúdo promocional falso. A rede social fornece uma plataforma muito eficaz para o fraudador lançar campanhas de phishing por meio daquela conta específica, pois sabe que afetará usuários que usam ou conhecem o serviço da marca afetada.

 

(*) Bruno Homem é Customer Success Analyst da Axur