Assistente da Amazon, Alexa agora está presente em PCs Windows 10

PC World / EUA
11 de janeiro de 2018 - 12h13
Lançamentos de empresas como HP, Acer, Asus e Lenovo na CES 2018 coincide com uma maior aceitação das assistentes virtuais nos ambientes corporativos.

A crescente rivalidade entre Amazon e Google pelo domínio do mercado de assistente virtuais se intensificou nesta semana, durante a feira de tecnologia CES 2018, em Las Vegas. 

Enquanto ambas as empresas possuem uma fortes motivos para serem vistas como líderes – com a Amazon talvez liderando neste momento – está claro que a Siri, da Apple, e a Cortana, da Microsoft, estão ficando para trás. Um exemplo disso é o fato de que várias fabricantes lançaram aparelhos Windows 10 nesta semana e destacaram o suporte para a Alexa, da Amazon, como um grande atrativo de venda. (A Cortana, obviamente, estará disponível já que vem embutida no sistema, mas é a chegada da Alexa que era o ponto destacado pelas companhias.) 

Os dispositivos Windows 10 lançados nesta semana com a Alexa embutida incluem o HP Pavillion Wave PC, o Acer Aspire, os laptops ZenBOok e VivoBook 2018, da Asus, e o Thinkpad X1 Carbon e o Yoga, da Lenovo. 

Com esses lançamentos, a Alexa está encontrando o seu caminho em uma maior variedade de aparelhos à medida que os assistentes virtuais ganham mais espaço nos escritórios. A assistente da Amazon se beneficiou do sucesso lento dos alto-falantes Echo, mas esse foi apenas o início. Na CES 2017, a Alexa apareceu em um grupo variado de produtos, desde geladeiras até “robôs aspiradores”, parte do plano da Amazon de posicionar a Alexa como uma assistente virtual universal.

Apesar de a Toyota e a Lexus planejarem instalar o assistente ativado por voz em alguns dos seus veículos, o lançamento de PCs com a Alexa marca o seu movimento do mundo dos consumidores finais para o ambiente corporativo – assim como o iPhone em 2007 foi rapidamente dos usuários individuais para tornar-se um suporte principal no ambiente de trabalho.

(O lançamento da Alexa for Business no ano passado – uma área que aparentemente seria uma casa natural para a Microsoft – apenas ressalta os planos da Amazon.)

Com 25 mil habilidades da Alexa já disponíveis, incluindo uma lista crescente direcionada especificamente para usuários corporativos, a Amazon já está fechando acordos com parceiros corporativos. Uma lista de empresas, que inclui nomes como Salesforce, SAP SuccessFactors, Concur, Ring Central e ServiceNow, planeja integrar suas aplicações com a Alexa for Business.

“À medida que iniciamos 2018, a Alexa mostra o mais forte ecossistema de parceiros – com o maior número de parceiros de hardware e habilidades – e uma presença cada vez maior da Alexa for Business nos escritórios”, afirma o VP e analista principal da Forresteer, J.P. Gownder.

O suporte corporativo para a Alexa – tanto no escritório quanto em locais voltados para clientes como hotéis – representa uma grande oportunidade, segundo o especialista. E a assistente da Amazon possui o “momentum” que falta para outros assistente virtuais atualmente. “A Cortana não fez progresso suficiente para conseguir prevenir uma agressiva e crescente Alexa nos contextos corporativos neste momento”, afirmou. 

As empresas estão prontas para a Alexa?

A perspectiva de assistentes virtuais no escritório está sendo bem-vinda de forma geral por líderes sênior de TI. 

“Vemos as assistentes virtuais como inevitáveis no ambiente de trabalho”, afirmou o VP, CIO e CSO da MITRE Corporation, Joel Jacobs. “A experiência nas casas vai estabelecer a expectativa para a interação, controle e comandos de voz de outros aparelhos (de IoT). Penso que em breve as pessoas vão esperar que, se podem ter essas habilidades em casa, por que não no escritório?”.

O CIO da Driscoll’s, Tom Cullen, prevê um aparelho no estilo da Alexa para lidar com pedidos de serviços próprios dos usuários – em vez de fazer login em um serviço de ajuda tradicional de ingressos para questões como mudança de senha – ou ser usado para permitir um fluxo de trabalho que normalmente dependeria de outros integrante da equipe.

Os assistentes virtuais também poderiam ser “alavancados para pedidos de suporte de um aplicativo em que uma resposta ou direcionamento rápidos sobre onde conseguir mais informações poderia ser útil”, afirmou o especialista.

O VP sênior e CIO da National Life Group, Tom Anfuso, afirma que a empresa criou um protótipo de um conceito de prova de uma habilidade da Alexa para os seus agentes de seguro no ano passado. 

“Provavelmente vamos continuar trabalhando com a Alexa no contexto do nosso programa de inovação P&D neste ano”, diz. Apesar de não haver uma plano concreto no momento para ir além do conceito, Anfuso disse que a empresa “está em alta de forma geral sobre o ecossistema crescente da Alexa”. 

A IPG Mediabrands, braço de mídia da empresa de publicidade de Nova York chamada Interpublic Group of Companies, atualmente está explorando a integração da Alexa for Business na organização, segundo o VP sênior de tecnologia da companhia para as Américas, Frank Ribitch.

“Vimos os benefícios que assistentes virtuais como a Alexa podem trazer para uma pessoa, agora estamos buscando explorar essas habilidades para ajudar a habilitar a tecnologia existente de salas de conferência nos nossos escritórios. No meu mundo perfeito, poderíamos entrar em uma sala de reuniões, pedir para a Alexa iniciar a videoconferência, e a Alexa começa a fazer a sua mágica”, afirma.

Apesar dos inúmeros avanços, uma chamada de videoconferência normalmente exige uma pessoa do departamento de TI a postos para garantir que tudo está configurado e funcionando como deveria, diz o especialista. “Adoraria poder tirar a minha equipe dessas reuniões, e tê-la focada em outras questões mais urgentes.”

Preocupações de segurança

Ainda há desafios a serem superados, no entanto, com o principal deles sendo a proteção de dados sensíveis. Segundo Cullen, “o principal obstáculo (para os assistentes virtuais) é a segurança”. “A razão pela qual não tenho um em casa é que ele está sempre escutando e você não sabe realmente para onde esses dados estão indo e o que é feito com eles”, explica.

Ribitch segue pela mesma linha: “Como muitos outros, temos preocupações sobre um aparelho que fica sempre ligado e sempre escutando. Nos últimos meses, o nosso diretor de segurança da informação e nossos departamentos legal e de privacidade trabalharam em uma primeira versão de uma política interna para aparelhos de IoT. Estamos adotando uma abordagem multiclasse com os aparelhos IoT para ajudar a definir melhor suas habilidades, e mais importante, como protegê-los em nossa rede enquanto também solucionamos preocupações relacionadas à privacidade. Esperamos ter as políticas finais completas ainda neste trimestre.” 

Joel Jacobs da Mitre também questionou para onde vão os dados criados nas interações com os assistentes virtuais. “Por exemplo, se a interpretação da voz está ‘na nuvem’, isso significa que o registro e a transcrição da voz estão sendo armazenados pelo fornecedor do serviço? Caso sim, como esses dados podem ser usados?”.

Os desafios inerentes enfrentados na introdução de assistentes inteligentes ativados por voz lembra de algumas maneiras a chegada dos smartphones ao ambiente de trabalho na última década. Essa revolução forçou os administradores de TI a lidarem com novas dores de cabeça sobre segurança de dados trazidas pela chegada desses aparelhos dos consumidores finais às redes corporativas – e eventualmente levou às políticas de BYOD (Bring Your Own Device), juntamente com um ecossistema totalmente novo voltado a gerenciar aparelhos e redes.