Receita recorde da Mozilla em 2016 ajudou a financiar Firefox Quantum

PC World / EUA
05 de dezembro de 2017 - 13h00
Empresa superou a barreira dos US$500 milhões pela primeira vez no ano passado. Acordos para buscadores padrão responderam pela maior parte do valor.

A Mozilla revelou na semana passada que a sua receita em 2016 superou os 500 milhões de dólares, a primeira vez que a empresa quebrou a barreira do meio bilhão de dólares. Ao mesmo tempo, os custos de desenvolvimento subiram 6% com a companhia preparando o Firefox Quantum, seu navegador renovado liberado no último mês de novembro.

A maior parte dos rendimentos de 520 milhões de dólares da Mozilla Foundation em 2016 veio de pagamentos de royalties, com a principal fatia deles vindo, como sempre, de acordos pela ferramenta de busca padrão no browser. Para quem não sabe, a Mozilla Foundaiton é a organização sem fins lucrativos que, por sua vez, comanda a Mozilla Copr, a organização comercial que cria serviços como o Firefox para Windows, macOS, Linux, iOS e Android.

De acordo com o recém-publicado registro financeiro da Mozilla de 2016, 504 milhões de dólares desse total, ou 97% de toda a receita, veio de pagamentos de royalties. A porcentagem da receita derivada de pagamentos de royalties nunca ficou abaixo de 91% - os ganhos da Mozilla sempre estiveram atrelados aos contratos do Firefox – mas a fatia de 2016 foi menor do que o recorde de 99% alcançado em 2015.

Os acordos de buscas responderam por 94% do total dos royalties, segundo a Mozilla, o que significa que a empresa trouxe cerca de 474 milhões de dólares com esses acordos. Isso é 63 milhões de dólares a mais do que o que a companhia conseguiu em 2015, um aumento de 15%.

Sai Yahoo, volta Google

Vale lembrar que a Mozilla recentemente anunciou o fim prematuro do acordo com o Yahoo, que era a ferramenta padrão de buscas do Firefox nos EUA e nos Canadá. A partir de agora, o Google volta a ser o buscador padrão do browser nesses dois países e também em Taiwan e Hong Kong.

Gastos

A maioria das despesas da Mozilla em 2016 – 63%, a mesma porcentagem do ano anterior – foram gastas no desenvolvimento de software, que subiu para 226 milhões de dólares, um crescimento de 6%. No geral, as despesas da companhia subiram 7% na comparação ano a ano, um pouco mais do que o aumento registro entre 201 4e 2015.

É impossível saber quanto do trabalho agressivo no Firefox em 2016 – que continuou neste ano com o lançamento do Quantum – acrescentou nas planilhas de gastos com desenvolvimento. Apesar de a empresa poder ter aumentado os gastos com o browser, também encerrou seu projeto para sistema operacional, o Firefox OS, no ano passado. No começo de 2017, a Mozilla acabou com o que ainda restava do Firefox OS. Essas iniciativas, e outras, podem ter reduzido os gastos da empresa em atividades não relacionadas ao navegador, enquanto que o próprio browser consumiu uma fatia maior dos rendimentos.