Facebook planeja ferramenta para alertar usuários de páginas com propaganda russa

Da Redação
24/11/2017 - 09h30
Em portal, a ser lançado neste ano, usuários poderão verificar se eles se envolveram com páginas relacionadas ao Kremlim durante a eleição presidencial nos EUA

O Facebook disse que pretende revelar aos seus milhões de usuários se registraram “curtidas” (likes) ou seguiram qualquer uma das 290 páginas na rede social e o Instagram criadas por russos e apoiadas pela Agência de Pesquisa de Internet do Kremlin com supostas campanhas de desinformação na eleição presidencial nos Estados Unidos no ano passado.

A empresa planeja um portal no qual os usuários poderão verificar se eles se envolveram com páginas relacionadas a propaganda russa. O portal, que o Facebook diz que será lançado até o final do ano, permitirá aos usuários acompanhar suas “atividades” entre janeiro de 2015 e agosto de 2017, e estará disponível no Centro de Ajuda do Facebook.

As contas em questão faziam parte de um amplo esforço para, nas palavras do Facebook, "os atores russos semearem a divisão e a desconfiança" antes e depois das eleições de 2016. "Eles ostensivamente apoiaram causas políticas americanas em todo o espectro ideológico, e parecem ter obtido alguma adesão entre os usuários reais do Facebook — pelo menos uma página supostamente vinculada à Rússia organizou com êxito cronogramas off-line", disse a empresa ao site The Verge.

A Agência de Pesquisa de Internet também supostamente exibiu milhares de anúncios "divisivos" para 10 milhões de pessoas, muitas vezes direcionando-os para páginas temáticas semelhantes. O Facebook já disse que está tomando medidas para evitar anúncios de qualquer "operação inautêntica", incluindo a verificação dos grupos por trás deles.

O Facebook diz que a criação do portal "faz parte do nosso esforço contínuo para proteger nossas plataformas e as pessoas que as usam de atores ruins que tentam minar nossa democracia". Também é uma maneira de a rede social sinalizar ao Congresso dos EUA que é uma empresa séria em relação à transparência, depois de ser acusada de arrastar as investigações sobre anúncios relacionados à Rússia. Mas, ao que tudo indica, as capacidades da ferramenta são limitadas. Aparentemente, não vai dizer se o usuário viu ou compartilhou postagens das contas, mas apenas se ele se envolveu diretamente com elas.