Para startups, ecossistema brasileiro peca em políticas públicas

Carla Matsu
01/11/2017 - 17h53
Pesquisa levantada pela ABStartups e Accenture mapeia ecossistema das empresas no Brasil. 73% das respondentes consideram políticas públicas ruins ou regulares

A ABStartups e a Accenture compartilharam os dados iniciais do estudo que mapeia o ecossistema de startups no Brasil. Batizado de Radiografia do Ecossistema de Startups Brasileiras, a pesquisa contou com a participação de mais de mil startups ativas em todos os estados do País.

Para a ABStartups, o levantamento visa fomentar o próprio ecossistema das jovens empresas de base tecnológica. Isso porque reflete alguns dos principais receios e preocupações dos empreendedores. Quase três quartos das respondentes avaliam as políticas públicas como uma das principais deficiências do ecossistema brasileiro. Em entrevista ao IDG Now, publicada em fevereiro deste ano, o presidente da ABStartups, Amure Pinho, chamou atenção para a burocracia que um empreendedor enfrenta na hora que decide criar uma empresa. 

“As startups aqui no Brasil são tão boas quanto em qualquer outro país. Nós temos oportunidades tão boas como temos lá fora? Sim, em alguns casos até maiores. Temos dinheiro tão abundante como lá fora? Não. Aí começamos a ver as diferenças. O cara que consegue empreender aqui é um vitorioso”, declarou. (Leia a entrevista na íntegra aqui

Em julho deste ano, a Receita Federal publicou normas para a tributação dos rendimentos decorrentes dos contratos de participação efetuados pelos chamados investidores-anjo em micro e pequenas empresas, o que engloba aí também as startups. As novas regras frustraram o setor, que esperava isenções como uma forma de estímulo à atividade. 

"É um desestímulo para as pessoas investirem nessas empresas", argumentou na ocasião Cassio Spina, presidente da Anjos do Brasil. "Lamentamos, porque foi feita uma consulta pública prévia pela Receita Federal. E não somente nós, mas outras entidades ligadas ao empreendedorismo haviam se manifestado contra essa tributação", criticou. Vale ressaltar que neste cenário, a maioria das startups (76%) que respondeu ao estudo disse recorrer a capital próprio dos sócios como principal fonte inicial de investimento. 

Outro dado que a radiografia apresenta diz respeito a participação das mulheres no universo predominantemente masculino das startups. No Brasil, quase 40% das empresas que responderam são formadas exclusivamente por homens. 

A Radiografia do Ecossistema de Startups Brasileiras foi apresentado durante a 4ª edição da CASE (Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo), que aconteceu em São Paulo na semana passada. O levantamento, segundo a ABStartups é ainda parcial, novas conclusões devem ser compartilhadas no início de 2018. 

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