Loja de eletrônicos da Amazon.com.br ainda precisa mostrar a que veio

Luiz Mazetto
20/10/2017 - 19h29
Lançada no último dia 18 de outubro em meio à expectativa, nova plataforma da gigante deixou a sensação de "mais do mesmo".

Após quase cinco anos de operação no Brasil, a Amazon finalmente lançou no último dia 18 de outubro a sua aguardada loja de eletrônicos no país. Mas, pelo que mostrou em seus primeiros dias no ar, a nova plataforma de smartphones, TVs e afins da gigante do e-commerce ainda precisa mostrar a que veio.

Nada de Echo

A decepção de muita gente começou ao perceber que a Amazon não trouxe os seus próprios eletrônicos para o Brasil, como os alto-falantes inteligentes Echo e os tablets Kindle Fire. Com isso, os gadgets da companhia por aqui continuam limitados aos e-readers Kindle, que recentemente ganharam a companhia do novo Oasis. Questionada sobre uma possível chegada de seus produtos ao mercado brasileiro, a Amazon afirmou que “não especula sobre planos futuros”.

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Marketplace

Um outro ponto que causou polêmica é o fato da venda de eletrônicos na Amazon.com.br funcionar apenas por meio do marketplace da empresa. Ou seja, a Amazon mesmo não vai te vender diretamente nenhum smartphone, tablet ou TV, mas funcionar como um intermediário para terceiros comercializarem produtos novos e usados pelo seu site.  A companhia possui diferentes planos com comissões e/ou assinaturas para os diversos perfis de vendedores. 

É lógico que há alguns diferenciais de comprar algo pelo marketplace da Amazon em vez de usar outra plataforma ou acessar um site menor e menos conhecido, por exemplo. A empresa permite o parcelamento das compras em até 10 vezes sem juros e diz garantir a entrega do produto nas condições prometidas após o pagamento, feito pela sua plataforma. A lista de parceiros iniciais do marketplace da loja de eletrônicos da Amazon inclui sites e fabricantes conhecidos como Kabum, Girafa, TecToy e Multilaser, além de (muitos) outros desconhecidos e/ou pouco conhecidos do grande público.

 

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Preços e catálogo

De qualquer forma, a escolha exclusiva da Amazon pelo modelo de marketplace para vender eletrônicos no Brasil recebeu diversas críticas de usuários nas redes sociais, principalmente pelos preços aparentemente pouco atraentes em relação à concorrência e também pela ausência de alguns produtos conhecidos e bastante procurados. Em uma busca rápida, não foi possível encontrar aparelhos como o Samsung Galaxy Note 8 ou o iPad (apenas acessórios, no caso do tablet da Apple) em meio aos mais de 100 mil itens disponíveis na loja de eletrônicos da gigante.

Por conta dessas reclamações sobre os preços, perguntamos para a empresa se ela sugere ou influencia os valores praticados pelos comerciantes parceiros. “A Amazon não interfere na estratégia dos vendedores que estão no marketplace, mas estamos trabalhando com marcas e vendedores para oferecer um excelente catálogo em produtos eletrônicos e acessórios para nossos clientes, buscando sempre melhorar a cada dia”, afirmou a companhia.

Para efeito de comparação, a Amazon.com.br vende livros físicos pela sua própria loja e também via marketplace, conseguindo assim uma variedade grande de títulos e preços bem atrativos. Questionada pela redação do IDG Now! sobre uma possível venda direta de eletrônicos no Brasil, a Amazon voltou a dizer que “não especula sobre planos futuros”. 

Sem Prime

Vale notar ainda que a Amazon lançou sua loja de eletrônicos no Brasil sem o seu conhecido serviço de assinatura Prime (não confundir com o Prime Video, disponível por aqui desde o fim de 2016, ainda que com um catálogo modesto e cobrança em dólar), que dá algumas vantagens, como frete de dois dias gratuito, acesso a ofertas exclusivas, armazenamento ilimitado na nuvem, entre outras coisas.

Mais uma vez, ao ser questionada sobre um possível lançamento do Prime por aqui, a Amazon afirmou que “não especula sobre planos futuros”. Por outro lado, o Submarino, um dos principais concorrentes da Amazon no Brasil, expandiu recentemente o seu plano Submarino Prime, claramente inspirado na rival, para todas as cidades das regiões Sul e Sudeste do país.

E essa sensação de “mais do mesmo” citada pelos consumidores parece ter se refletido no mercado. Se as ações das rivais varejistas caíram na última semana, após alguns veículos publicarem que a Amazon começaria a vender eletrônicos no Brasil, aconteceu o movimento contrário após o lançamento da nova plataforma da gigante por aqui, com as ações das concorrentes subindo nos últimos dias.