Pela 1ª vez, três observatórios detectam a presença de ondas gravitacionais

Da Redação
28/09/2017 - 12h13
Fenômeno foi medido por observatório Ligo, nos EUA e por unidade na Itália. Feito permitirá cientistas melhor compreender a localização e origem desses sinais

Astrônomos do Observatório Ligo (Laser Interferometer Gravitational Wave Observatory) anunciaram nesta quarta-feira (27) que conseguiram detectar pela quarta vez a presença de ondas gravitacionais. As ondulações no tecido do espaço-tempo são produzidas pela colisão de dois objetos massivos no universo e foram descritas por Albert Einstein há cerca de 100 anos como parte da Teoria da Relatividade.

O grupo de pesquisadores do Ligo fez história no ano passado ao anunciar que dois detectores localizados nos Estados Unidos, um em Washington e outro em Louisiana, conseguiram detectar pela primeira vez o fenômeno. Entretanto, esta é a primeira vez que um detector, localizado na Itália, o Virgo, também identificou os "ruídos" causados pela colisão de dois buracos negros.

Essas últimas ondulações foram detectadas no dia 14 de agosto às 10h30 GMT (07h30 no horário de Brasília) quando dois buracos negros, com massas 31 e 25 vezes da do Sol, se fundiram a 1,8 bilhão de anos-luz de distância.

Da mesma forma, é a primeira vez que ondas gravitacionais são detectadas pelos três observatórios quase que simultaneamente. Detalhes sobre a última descoberta serão publicados na revista Physical Review Letters.

Com três observatórios distintos, cientistas conseguirão melhor entender a localização desses sinais ao determinar o momento que essas ondas chegam a cada observatório, oferecendo uma precisão até então sem precedentes.

Localizado no Observatório Gravitacional Europeu em Cascina, perto de Pisa, na Itália, o Virgo é um instrumento subterrâneo em forma de "L". Ele foi recentemente melhorado e, embora ainda seja menos sensível que seus pares americanos, foi capaz de confirmar o sinal. 

"É maravilhoso ver um primeiro sinal de onda gravitacional em nosso novo e melhorado Virgo, apenas duas semanas depois de oficialmente começar a receber dados", disse Jo van den Brand, porta-voz do Virgo em comunicado.

“É apenas o começo da observação com a rede estabelecida por Virgo e Ligo trabalhando juntos", declarou David Shoemaker, porta-voz da colaboração científica Ligo , da qual participam o California Institute of Technology (Caltech) e o MIT.

Ao detectar e medir ondas gravitacionais, os cientistas passaram a enxergar objetos do universo que não emitem luz nem radiação eletromagnética e "que não poderiam ser vistos de outra forma". 

O valor da descoberta permitirá que astrofísicos conheçam mais sobre a composição das galáxias, os buracos negros e saibam mais sobre a dinâmica da gravidade teorizada por Eistein.