A psicologia por trás da interação entre homens e robôs

George Nott, Computerworld Austrália
28/09/2017 - 16h09
Pesquisadores estudam o vínculo ou a conexão de pessoas com pares robóticos para medir a confiança de um ser humano em um robô

Robôs sociais estão se tornando cada vez mais presentes, com o seu potencial promovido em uma série de mercados, desde cuidados para saúde, educação, cuidados para idosos, atendimento ao cliente e varejo. Testes com a tecnologia já estão em andamento e colocam robôs humanóides em aeroportos e centros comerciais para avaliar a reação do público.

Mas a medida que os robôs se popularizam, surge a necessidade de medir nossas interações com eles. A pesquisadora da Queensland University of Technology (QUT) Nicole Robinson procura desenvolver uma escala psicométrica para interações homem-robô, e tenta atrair o público a participar do estudo.

"Ainda estamos tentando descobrir qual o vínculo ou a conexão, se for o caso, é formado ao interagir com um robô", explica Robinson.

"Algumas pessoas podem realmente apreciá-lo e sentir um forte grau de conforto em torno de um robô ou um vínculo com ele, enquanto outros podem não se sentir convencidos sobre isso e talvez não desejem fazê-lo novamente. Ainda estamos aprendendo o que separa esses dois tipos de pessoas de um para o outro", completa.

Embora exista um número limitado de escalas relacionadas às interações homem-robô, elas medem a confiança de um ser humano em um robô, como a chamada Escala de Percepção de Confiança-HRI ou suas atitudes em relação a ela, como as Atitudes Negativas para a Escala de Robô.

Nicole, pesquisadora do Instituto de Saúde e Inovação Biomédica da QUT, procura desenvolver uma medida individual de resposta a um robô em uma configuração também individual.

"A criação de uma escala psicométrica para avaliar uma interação humano-robô pode ter ampla aplicação individual e industrial, como descobrir como as pessoas reagem a uma interação com um robô-enfermeiro, um tutor ou trabalhador em seu ambiente doméstico ou local de trabalho", disse ela.

"As opiniões e perspectivas do público em geral sobre este tópico nos ajudarão a descobrir como podemos desenvolver a tarefa, o papel ou o comportamento de um robô para torná-lo mais aceitável e funcional para as pessoas".

O estudo envolve participantes assistindo a um vídeo de um robô e uma pessoa discutindo um tópico, seguido de um breve questionário.

Conforto ou confronto?

É provável que a maioria de nós se torne mais confortável em torno dos robôs à medida que a nossa exposição aumenta, diz Nicole.

"Nós não pensamos muito em interagir com um smartphone, computador ou tablet, uma vez que você tem muita experiência com isso e o tenha feito muitas vezes. Como uma sociedade, mais conhecimento, exposição e prática com robôs podem torná-lo menos desconfortáveis para as pessoas que nunca interagiram com um antes. Poderia seguir um padrão semelhante a outros tipos de tecnologia e se tornar um outro tipo regular de tecnologia em torno de nós no futuro próximo".

No entanto, isso pode não ser verdade para todos, acrescenta Nicole.

"Algumas pessoas talvez nunca se sintam confortáveis com robôs, e o mesmo vale para outros tipos de tecnologia. Algumas pessoas podem achar robôs muito semelhantes a elas mesmas para se sentir à vontade. Pode ser o contrário, que os robôs são muito amedrontadores quando feitos para se parecerem com pessoas e não se popularizem por causa disso", acrescentou.

Para Nicole, um dos grandes desafios é a expectativa que as pessoas têm em relação as reais capacidades de robôs. Isso porque os robôs da atualidade não estão nem perto dos mesmos que vemos nos filmes de ficção científica. 

"Algumas pessoas tentam interagir com robôs de forma similar ao que elas esperam que um robô reaja num filme ou como uma pessoa real faria. E algumas vezes elas podem se sentir desapontadas ou confusas quando um robô não reage como o esperado".

Como uma sociedade, nós também precisaremos considerar como robôs sociais são apresentados, acrescenta Nicole.  

"Nós precisamos ser cuidadosos e ter certeza de que as coisas são feitas de uma forma que as pessoas aceitem e se sintam confortáveis. Um grande desafio no futuro seria forçar robôs em áreas ou mercados muito rápido e logo, algo que não é apropriado ou útil para ninguém", aconselha a pesquisadora.