Em 1º ano sem Escobar, Narcos se consolida como melhor série do Netflix

Luiz Mazetto
12/09/2017 - 12h22
Seriado original do serviço de streaming consegue se sair muito bem após a saída do seu protagonista, interpretado pelo brasileiro Wagner Moura.

Lançado em 2015 como uma das grandes apostas do Netflix a reunir atores e diretores (e consequentemente, idiomas) de diferentes regiões do mundo, a série sobre o mundo das drogas Narcos rapidamente tornou-se um dos maiores sucessos originais da plataforma de streaming de vídeo ao lado de programas já consagrados como House of Cards e Orange is the New Black.

Com produção do diretor brasileiro José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2), é justo dizer que grande parte do sucesso das duas primeiras temporadas se deveu ao fato da história girar em torno do conhecido narcotraficante colombiano Pablo Escobar, interpretado pelo também brasileiro Wagner Moura, que recebeu algumas críticas na América do Sul por seu sotaque ao falar espanhol, mas muitos elogios no geral, com direito a uma indicação ao Globo de Ouro de 2016 pelo papel.

Por isso mesmo, havia muita expectativa e receio no ar quando o Netflix anunciou que continuaria com o seriado por pelo menos mais dois anos mesmo após a morte de Escobar ao final da segunda temporada. Na terceira temporada, lançada oficialmente no último dia 1º de setembro, as atenções mudaram do Cartel de Medelín para o Cartel de Calí, que já havia aparecido na segunda temporada, mas ganhou ainda mais espaço na trama com a saída do personagem interpretado por Moura. Destaque total para o personagem Pacho Herrera (Alberto Amman), que ocupa de certa forma o lugar deixado por Wagner Moura e seu Pablo Escobar.

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Além de mudanças do lado dos traficantes, também houve uma troca de protagonistas no lado dos policiais, com o agente Javier Peña (interpretado magistralmente por Pedro Pascal) tomando o lugar de liderança, que ficava até então com o agente Steve Murphy (interpretado pelo mediano Boyd Holbrook). 

E, quem diria, essas duas trocas deram mais do que certo, garantindo um novo dinamismo aos 10 episódios da terceira temporada, que levam o espectador por uma intrincada trama de personagens novos e antigos, no melhor estilo de The Wire, premiada série da HBO. Também vale notar um maior equilíbrio na abordagem dos dois lados, policiais e bandidos, que ficam mais cinzas e menos maniqueístas, um ponto criticado por muitos especialmente na primeira temporada do programa.

Tanto que a terceira temporada de Narcos está com 100% de aprovação entre os reviews coletados pelo site especializado Rotten Tomatoes, superando as temporadas 1 e 2 do seriado, que receberam, respectivamente, aprovação de 78% e 91%, na página norte-americana, uma prova de que o programa produzido por Padilha está evoluindo a cada temporada, como costuma acontecer com as grandes séries, a exemplos de Sopranos e da já citada The Wire, ambas da HBO.

Resta saber como o Netflix irá lidar com todas as mudanças que terão de ser feitas em 2018 em função do final da terceira temporada. Dedos cruzados por aqui para que a barra apenas continue a subir e Narcos consiga alçar voos ainda mais altos.