Robô dirigirá orquestra ao lado de Andrea Bocelli em festival de robótica

Da Redação
08 de setembro de 2017 - 19h13
Humanoide da ABB se apresenta no próximo dia 12. Robô dirigirá passagens das obras de Verdi tocadas pela Orquestra Filarmônica de Lucca

Robôs já estão habilitados para uma série de tarefas. Há exemplos de humanoides de patrulha em estacionamentos e em aeroportos, robôs para fazer companhia a idosos e crianças e até mesmo um robô que já consegue conduzir funerais no Japão. A essa altura já entendemos que colegas robóticos são uma ameaça real a nossa falta de destreza em uma série de atividades e, aparentemente, até mesmo em certos talentos.

No próximo dia 12 de setembro, um robô da fabricante suíça ABB, fará sua estreia como maestro, dirigindo a Orquestra Filarmônica de Lucca, no Teatro Verdi, em Pisa, Itália. Batizado de YuMi, o humanoide irá conduzir algumas passagens das obras de Giuseppe Verdi ao lado do tenor italiano Andrea Bocelli. A apresentação acontecerá durante o Festival Internacional de Robótica. 

O maestro italiano Andrea Colombini participou do projeto que preparou o YuMi para a apresentação no festival. O trabalho foi desenvolvido em duas etapas. Primeiro, os  dois braços do robô foram guiados para mimetizar os movimentos de Colombini. Os movimentos, então, foram registrados. 

Já o segundo passo envolveu ajustar os movimentos no software da ABB, o RobotStudio, onde os movimentos dos braços robóticos são sincronizados com a música. O nível de fluidez dos gestos do YuMi podem ser conferidos no vídeo de ensaio com o maestro Colombini. Assista abaixo. 

"O resultado final é incrível. As nuances gestuais de um condutor foram totalmente reproduzidas em um nível que antes era impensável para mim", diz Colombini em comunicado da ABB. "Este é um passo incrível, dada a rigidez dos gestos por robôs anteriores", completa.

YuMi não será, entretanto, o primeiro robô a dirigir uma orquestra de músicos de carne e osso. Em 2008, um pequeno humanoide da Honda, o Asimo, conduziu a Orquestra Sinfônica de Detroit. 

Se caminhamos para um futuro onde maestros serão superados por colegas robóticos, Colombini acredita que isso não se concretizará. "O robô permanece e permanecerá apenas um auxílio, talvez para poder realizar, na ausência do diretor, o primeiro ensaio, antes de o maestro entrar para fazer os ajustes que criam a interpretação de uma peça musical", diz. "O robô usa seu braço, mas a alma, o espírito, são sempre as do homem", acrescenta o maestro.