Dispositivo móvel consegue detectar células cancerosas em 10 segundos

Da Redação
08/09/2017 - 16h17
Desenvolvido por cientistas dos EUA, 'MasSpec Pen' foi testada em 253 amostras de tecido, tanto cancerosos como saudáveis, e mostrou taxa de precisão de 96%

Cientistas da Universidade do Texas desenvolveram uma espécie de caneta que consegue identificar células cancerosas dentro de 10 segundos. 

Batizado de "MasSpec Pen", o dispositivo poderia ser usado por cirurgiões para determinar qual área do tecido foi afetada por um tumor e, assim, remover completamente a região danificada. A tecnologia foi descrita em artigo publicado, nesta semana, na revista americana Science Translational Medicine.

Quando um paciente é submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor, o cirurgião tentará remover todo o tecido canceroso, preservando o tecido saudável. Trata-se de uma tarefa delicada. Isso porque os resíduos de tecido canceroso que permanecem mesmo após uma intervenção cirúrgica representam um risco de recaída para o paciente. Ao mesmo tempo, eliminar tecido saudável demais poderia ter efeitos negativos generalizados, explicam os cientistas por trás da "MasSpecPen". 

Durante a cirurgia, cirurgiões podem enviar amostras de tecido para um laboratório para análise. Entretanto, o resultado pode levar dias. O tecido pode ser também congelado e analisado durante a operação, mas o método leva de 15 a 20 minutos e sua precisão não garantiu eficácia, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. 

Os cientistas da Universidade do Texas afirmam que a caneta conseguiu uma taxa de exatidão de mais de 96% e fez o trabalho em 10 segundos. O instrumento usa uma pequena quantidade de água (10 microlitros) para extrair suavemente moléculas do tecido de uma pessoa. Estas moléculas são transportadas através de um tubo flexível a um espectrômetro que calcula as diferentes massas moleculares na amostra e determina a impressão digital molecular do câncer, informando ao cirurgião se o tecido é saudável ou canceroso.

De acordo com o estudo publicado, foram analisadas 253 amostras de tecido humano, tanto cancerosos como saudáveis, de pulmão, ovário, tireoide e mama para estabelecer “um perfil molecular” que permite identificar a presença de câncer. A caneta se mostrou precisa em 96% do tempo.

O instrumento também foi testado em ratos com tumores e, segundo os cientistas, o método não teria danificado o tecido, tampouco estressado os animais. 

A expectativa é que a "MasSpec Pen" seja testada em cirurgias já em 2018, mas antes disso ela precisa ser aprovada pelo órgão de controle sanitário dos Estados Unidos, o Food and Drug Administration. 

Crédito Foto: Vivian Abagiu/Universidade do Texas, Austin