Elon Musk e líderes em IA exigem proibição de armas autônomas letais

Da Redação
21/08/2017 - 16h27
Especialistas dizem que as armas autônomas são "moralmente erradas" e que a necessidade de agir é urgente

O avanço desenfreado da inteligência artificial e robótica tem preocupado grandes líderes e representantes no campo das tecnologias emergentes. Para muitos, é questão de tempo para que a tecnologia possa ameaçar populações no mundo inteiro. 

O assunto fica ainda mais delicado quando colocado na perspectiva das armas letais. Atualmente, várias nações, incluindo aí Estados Unidos, China, Israel e Rússia, estão desenvolvendo armas autônomas. Um dos exemplos está na fabricante sul-coreana, Dadaam Systems, que desenvolveu sistemas para equipar metralhadoras em torres de fronteiras. Tais armas são capazes, tecnicamente, de identificar e disparar alvos sem intervenção humana, embora operadores humanos precisem - por enquanto - autorizar quaisquer disparos.

Com isso no horizonte, especialistas, líderes e empresários de tecnologia, incluindo aí o CEO da Tesla, Elon Musk, e o CEO da DeepMind, Mustafa Suleyman, assinaram uma petição direcionada às Nações Unidas, onde pedem pela proibição no desenvolvimento e uso de armas autônomas letais. 

No total, 116 especialistas de 26 países assinam a carta que reforça que o desenvolvimento dessa tecnologia levaria a uma "terceira revolução na guerra", que poderia igualar a invenção da pólvora e das armas nucleares. Recentemente, as Nações Unidas votaram para começar discussões formais em armas autônomas, que incluem drones, tanques e robôs com armas. 

"Uma vez desenvolvidas, [as armas autônomas] permitirão que os conflitos armados sejam combatidos em uma escala maior do que nunca, e em intervalos de tempo mais rápidos do que os seres humanos podem compreender", escrevem os signatários. "Estas podem ser armas de terror, armas que os déspotas e os terroristas usam contra populações inocentes e armas pirateadas para se comportarem de maneiras indesejáveis".
 

Os especialistas dizem que as armas autônomas são "moralmente erradas" e que seu uso deve ser controlado pela Convenção de 1983 sobre Armas Convencionais. Este acordo da ONU regula o uso de uma série de tipos de armas, incluindo minas terrestres, bombas de fogo e armas químicas.

Para os signatários, o cenário não é hipotético, e a necessidade de agir é urgente. "Não devemos perder de vista o fato de que, ao contrário de outras manifestações potenciais da IA, que ainda permanecem no domínio da ficção científica, os sistemas de armas autônomas estão a ponto de desenvolver e têm potencial muito real para causar danos significativos a pessoas inocentes junto com instabilidade global", escreveu Ryan Gariepy, fundador da Clearpath Robotics, em um comunicado à imprensa.  

"Não temos muito tempo de agir. Uma vez aberta a caixa de Pandora, será difícil fechá-la", alertam os signatários do documento.