Jornalistas, advogados e ativistas mexicanos são alvos de ciberespionagem

Da Redação
19/06/2017 - 16h47
Profissionais influentes no México investigavam escândalos de corrupção do governo e da polícia. Spyware se aproveitava de vulnerabilidades no iOS

Jornalistas, advogados em direitos humanos e ativistas no México têm sido alvo de um spyware, de acordo com relatório do Citizen Lab.

A campanha de espionagem conduzida, sobretudo, entre agosto de 2015 e julho de 2016, incluem mensagens de texto com spyware enviadas a diferentes alvos, incluindo a influente jornalista de televisão Carmen Aristegui e seu filho adolescente. Carmen e outros jornalistas, alvos da espionagem, investigavam o escândalo da "Casa Blanca", no qual o presidente mexicano Enrique Peña Nieto é acusado de receber uma mansão multimilionária de uma empreiteira favorecida. 

Advogados e ativistas que trabalham no desaparecimento em massa de 43 estudantes mexicanos e um pesquisador acadêmico que ajudou a escrever leis anticorrupção do país também foram alvo do spyware vendido ao governo mexicano.

Segundo a Citizen Lab, as mensagens de texto usadas variavam de um simples texto que informava "mensagem não enviada" a textos mais elaborados, como aqueles que se disfarçavam sob a divisão de vistos da Embaixada dos Estados Unidos ou alertas sobre crianças desaparecidas. Ao clicar, o software explorava vulnerabilidades no sistema operacional do iPhone para instalar-se no dispositivo alvo. 

Segundo informações do New York Times, desde 2011, pelo menos três agências federais mexicanas compraram o equivalente a US$ 80 milhões em spyware criados pela fabricante de ciberarmas israelense NSO Group. O software, conhecido como Pegasus, se infiltra nos celulares para monitorar ligações, textos, e-mails, calendários, conseguindo até mesmo sequestrar o microfone e câmera nos aparelhos. 

O Grupo NSO, diz que vende a ferramenta exclusivamente a governos, porém sob um acordo explícito de que ela seja usada apenas para combater terroristas ou cartéis da droga e grupos criminosos.

Em comunicado enviado ao jornal, o governo mexicano reconheceu que utiliza inteligência para supervisionar alvos suspeitos em desacordo com a lei para combater crimes e ameaças à segurança nacional. Mas negou espionar aqueles que defendem os direitos humanos, jornalistas e ativistas anticorrupção ou qualquer outra pessoa sem autorização judicial prévia.

Sob a lei mexicana, apenas um juiz federal pode autorizar a espionagem de comunicações privadas e apenas quando oficiais demonstram uma base sólida para tais pedidos. 

De acordo com ex-oficiais da inteligência do México ouvidos pelo New York Times, é altamente improvável que o governo tenha recebido aprovação de um juiz para hackear tais telefones. Segundo a fonte, espionagem ilegal é uma prática comum do governo.