Facebook, Google, Apple e Amazon criticam saída dos EUA do Acordo de Paris

Carla Matsu
02/06/2017 - 10h49
Outras gigantes de tecnologia também se manifestaram contra a decisão de Donald Trump de deixar tratado assinado por 195 nações

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou nessa quinta-feira (1/6) que o país está deixando o Acordo de Paris. Firmado em 2015 e assinado por 195 nações, o tratado define os compromissos globais na luta contra os danos causados pelas mudanças climáticas. Na ocasião, os EUA se comprometeu a reduzir entre 26% a 28% as emissões de carbono no período de uma década.

Grandes companhias de tecnologia sediadas no país, entre elas Google, Facebook e Apple, aderiram ao acordo e tem concentrado esforços para adotar fontes de energia 100% renováveis para alimentar seus data centers e parte de suas operações. 

Após Trump anunciar a decisão, muitos líderes de empresas de TI se manifestaram e criticaram a medida. Elon Musk, fundador e CEO da Tesla e SpaceX, cumpriu a promessa que deixaria o conselho de negócios de Donald Trump caso o presidente abandonasse o tratado. Musk era um dos 18 executivos do grupo. Nesta quinta-feira, ele usou o Twitter para comunicar sua saída: "Estou deixando o conselho presidencial. A mudança climática é real. Deixar Paris não é bom para os EUA ou para o mundo." 

Em seu perfil no Facebook, o CEO Mark Zuckerberg disse que a medida em nada muda o compromisso da companhia em direção a adoção de fontes de energia limpa.

"Deixar o acordo climático de Paris é ruim para o ambiente, ruim para os negócios e coloca o futuro de nossas crianças em risco. Da nossa parte, nós nos comprometemos que cada novo data center que construímos será alimentado por energia 100% renovável. Parar as mudanças climáticas é algo que nós podemos somente fazer como uma comunidade global, e nós precisamos trabalhar juntos antes que seja tarde demais", escreveu Zuckerberg. 

No Twitter, Sundar Pichai, CEO do Google, escreveu que estava desapontado com a decisão e que a companhia iria continuar a trabalhar para um futuro mais limpo e próspero para todos.

Tim Cook, CEO da Apple, enviou um e-mail aos funcionários da companhia onde diz que conversou com Trump e tentou persuadi-lo a manter os EUA dentro do acordo. "Mas não foi suficiente", lamentou no e-mail.

"A mudança climática é real e nós todos compartilhamos a responsabilidade de lutar contra ela. Eu quero assegurar a vocês que os desdobramentos de hoje não terão nenhum impacto nos esforços da Apple em proteger o ambiente. Nós alimentamos quase todas as nossas operações com energia renovável, o que acreditamos ser um exemplo de algo que é bom para o nosso planeta e também faz sentido para os negócios", escreveu o executivo. "Sabendo do bom trabalho que nós e outras tantas empresas ao redor do mundo estão fazendo, há muitas razões para nos mantermos otimistas sobre o futuro do planeta."

A Amazon também recorreu ao Twitter para manifestar sua oposição: "A Amazon continua a apoiar o acordo climático de Paris e as ações sobre mudanças climáticas. Acreditamos que políticas sólidas de energia limpa e clima podem incentivar a competitividade, a inovação e o crescimento do emprego nos Estados Unidos. Continuamos empenhados em colocar a nossa cultura inventiva para trabalhar de forma adequada ao meio ambiente e aos nossos clientes."

Jack Dorsey, CEO do Twitter, escreveu no microblog que a decisão de Trump era um retrocesso: "Estamos todos juntos neste planeja e precisamos trabalhar todos juntos."

O presidente da Microsoft, Brad Smith, também manifestou sua oposição à recente medida do presidente, afirmando que a companhia tentou convencer a administração de Trump para manter o país dentro do tratado.

"Mandamos cartas e realizamos reuniões sobre este assunto com altos funcionários do Departamento de Estado e da Casa Branca. E no mês passado, nos juntamos com outros líderes empresariais americanos para publicar anúncios de página inteira no New York Times, Wall Street Journal e New York Post, pedindo à administração para manter os Estados Unidos no Acordo de Paris", escreveu em seu perfil no LinkedIn.

"Estamos desapontados com a decisão de hoje da Casa Branca de retirar os Estados Unidos do acordo de Paris [...] Continuamos firmemente empenhados em nossos objetivos de sustentabilidade, carbono e energia que estabelecemos como empresa e para o sucesso final do Acordo de Paris. Nossa experiência nos mostra que esses investimentos e inovações são bons para o nosso planeta, nossa empresa, nossos clientes e a economia."

A decisão de Trump foi anunciada em transmissão ao vivo pela TV nessa quinta-feira. Os termos e as condições da retirada deverão ser conhecidos progressivamente. 

Em nota, o Greenpeace afirmou que a decisão de Trump custará a liderança global dos Estados Unidos. “Trump está entregando a liderança global dos Estados Unidos para os verdadeiros líderes mundiais que estão aproveitando a oportunidade de proteger seus países e o clima […]. Estamos testemunhando uma mudança na ordem global já que Europa, China e outros lideram o caminho adiante”, disse a diretora-executiva internacional da entidade, Jennifer Morgan.