Estreia do Netflix no Festival de Cannes é alvo de críticas e vaias

Da Redação
19/05/2017 - 13h13
Primeira participação do serviço de streaming de vídeo no tradicional festival causou polêmica e dividiu opiniões.

A primeira participação do Netflix no tradicional Festival de Cannes tem feito bastante barulho nesta semana, com direito a críticas fortes de nomes importantes do cinema, vaias por parte do público e atritos com a organização do evento.

Segundo a jornalista do The Hollywood Reporter, Tatiana Siegel, parte do público do festival vaiou a estreia do filme “Okja”, com Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal. E as vaias só aumentaram pelo fato de os 10 primeiros minutos terem sido exibidos no formato errado, falha que ocasionou um pedido de desculpas por parte da organização do evento. 

Uma reportagem da Vanity Fair aponta que um filme da Amazon exibido no festival, “Wonderstruck”, dirigido por Todd Haynes, também foi alvo de vaias por parte do público durante uma sessão na manhã desta quinta-feira, 18/5.

Antes disso, o diretor espanhol Pedro Almodóvar, que integra o júri de Cannes 2017, já tinha feito críticas duras contra o fato do festival receber filmes do Netflix em em sua competição principal neste ano – além de "Okja", o serviço de streaming também emplacou "The Meyerowitz Stories” no evento.

"Seria um paradoxo dar a Palma de Ouro a um filme que jamais vai ser visto em uma tela grande”, afirmou o diretor de títulos como Carne Trêmula, Julieta e Tudo Sobre Minha Mãe, em referência ao fato de que os filmes do Netflix presentes no festival não serão exibidos nos cinemas da França – Okja, por exemplo, terá um lançamento limitado em salas dos EUA e Reino Unido e um pouco mais amplo na Coreia do Sul, país natal do diretor Bong Joon Ho.

Apesar das críticas de Almodóvar contra o Netflix, vale notar que há três filmes do diretor espanhol disponíveis no serviço de streaming para usuários brasileiros: Ata-me, Tudo Sobre a Minha Mãe e A Pele Que Habito.

 

O Netflix chegou a considerar um lançamento de Okja nos cinemas franceses em 28 de junho, quando o filme desembarca no serviço de streaming, mas acabou desistindo da ideia. Isso porque há uma lei na França que exige que filmes aguardem um período de 36 meses para chegar a serviços de streaming após o lançamento no cinema.

Barrados em 2018?

Pouco após toda essa polêmica, a organização do Festival de Cannes deu um duro golpe em serviços como Netflix, Hulu e Amazon, ao anunciar que só serão considerados para o evento no ano que vem os títulos que estrearem em cinemas franceses.